segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Ingratidão e Falta de Prosperidade



Atendi uma aluna que se encontrava com sérios problemas financeiros. Funcionária pública concursada, ganhava muito pouco e se sentia humilhada e revoltada por isso. Ficava com muita raiva quando relatava que seu salário mal dava para quitar a prestação do apartamento e o condomínio. Comparava seus ganhos aos de outros servidores e isso a fazia sentir ainda mais revolta e indignação. Dizia coisas como: “Tenho até vergonha de dizer que isso que eu ganho é um salário, porque não dá pra nada. Meu pai me deu uma boa educação, sou preparada, não é justo. Não sobra pra nada. E a condução? E o lazer? Me sinto indignada”. Palavras carregadas com sentimentos intensos de raiva, injustiça e revolta.

Todos esses sentimentos, além de trazer um grande mal estar, acabam nos levando a ter ainda mais problemas financeiros. A ingratidão é um sentimento altamente negativo, o que ajuda a atrair e criar situações ainda piores. Era o que acontecia com ela. Coisas simples, que pela lógica deveriam se resolver de forma rápida, acabavam se complicando e não se resolvendo, o que levava a mais sentimentos de revolta. Acontecia todo o tipo de coincidência negativa para que as coisas não tivessem um bom desfecho. A gratificação no trabalho que lhe era de direito não saía. Um dinheiro que lhe era devido pelo INSS também não saía, correndo até o risco de não receber em definitivo.

Somando-se tudo isso a outras situações de sua vida, os sentimentos foram tão intensos que acabaram levando a uma depressão e afastamento do trabalho. Como alguém em um estado tão negativo poderá ter lucidez e energia para estudar e passar em um concurso melhor, ou para criar alternativas de se ganhar mais? Fica realmente bem difícil, e a tendência é que a pessoa se afunde cada vez mais contaminada pela própria negatividade.

Inconscientemente começamos a nos sabotar. Quanto mais revolta, mais a nossa criatividade e disposição vai embora. A auto sabotagem aparecerá de diversas formas: procrastinação, desorganização, falta de atitudes simples, não conseguir estudar, falta de ações para ir em busca de um emprego melhor e etc.

Já uma outra aluna contou uma história pessoal interessante. Ela tinha uma Kombi velha que vivia quebrando. Isso a fazia sentir muita raiva. Vivia reclamando do quanto a Kombi lhe deixava na mão e que já havia até pegado fogo. Ela dizia que tinha até vontade de jogar gasolina e queimar o veículo completamente, e vivia verbalizando isso.

Até que, em um determinado momento, depois de muito aprendizado na área de auto conhecimento, percebeu que seus sentimentos estavam lhe trazendo mal estar e mais problemas e entendeu que deveria mudar. Deve ter sido um insight profundo. Vendo que suas queixas  e pensamentos negativos não solucionavam nada, ficou claro que  ela precisava mudar completamente o foco. Ao invés de raiva da Kombi, começou a reconhecer tudo que o veículo já havia lhe ajudado. Sim, ela continuou tendo consciência  de que o veículo quebrava bastante, mas resolveu  agradecer por todos os momentos e serviços que a Kombi fazia quando não quebrava,  o que  não era pouca coisa.

Ela relatou então que essa mudança de visão trouxe um alívio completo da negatividade. E, o melhor de tudo, é que, após essa mudança completa de sentimento, “coincidentemente” ela fechou um bom contrato com uma empresa e conseguiu comprar um caminhão à vista. Isso mesmo. Nada mais de Kombi velha quebrando toda hora. Segundo a sua percepção, a chegada de um novo contrato tão bom só ocorreu por que ela estava se sentindo bem melhor.

Quando nos sentimos mal, ou seja, quando estamos no modo da ingratidão, as situações boas se afastam. E mais. A nossa visão condicionada a ver coisas negativas passa a não enxergar boas oportunidades. Haverá uma grande tendência em enxergar e entrar em situações que irão perpetuar o nosso sofrimento.

A primeira aluna estava esperando a situação melhorar para que ela pudesse se sentir grata e feliz. Ela queria o dinheiro do INSS saísse, que a gratificação que lhe era de direito também. Como nada disso ocorria ela ficava cada vez pior e contribuía inconscientemente para que nada se resolvesse.

Tem uma lógica oculta por trás desse tipo de padrão emocional que é como se dissesse “vou reclamar bastante, sofrer bem muito, quem sabe assim as coisas mudam”. Esse é um condicionamento que muitas vezes vem lá da infância, quando aprendemos ainda bebê que, ao chorarmos, ou seja, ao demonstrarmos nossa insatisfação e infelicidade, nossos desejos serão atendidos, pois era assim que conseguíamos as coisas. Isso é saudável e normal quando somos bebês, mas quando crescemos torna-se algo completamente doentio.

Já a segunda aluna, resolveu que seria feliz e grata, mesmo que as coisas não estivessem acontecendo da forma ideal.  Isso acabou transformando sua realidade. Primeiro ela mudou o interior e assim viu acontecer mudanças significativas no exterior.

A maioria das pessoas quer que aconteça o contrário. Esperam que o exterior mude para que elas possam ficar em paz. É uma inversão completa da ordem natural das coisas. No meu caso mesmo, minha vida profissional e financeira só melhorou depois que eu busquei auto conhecimento, limpei crenças negativas, melhorei minha auto estima. Aí sim, as coisas começaram a dar certo.  Enquanto eu me debatia me sentindo deprimido e injustiçado, as finanças ficavam cada vez pior.

O sofrimento intenso pode nos levar a chegar a essas conclusões. Foi o que aconteceu com a aluna que tinha a Kombi. De tanto sofrer, ela resolveu aceitar sem revolta o que ela tinha, e foi além, sentiu gratidão. A gratidão é um poderoso gerador de prosperidade.

Ao invés de sentir raiva por que o salário “não dá pra nada” o sentimento deve ser de gratidão por que dá pra pagar o apartamento e o condomínio. Não se deixa de reconhecer com isso que o salário ainda é baixo. Isso também não será um fator que trará sentimento de acomodação. Pelo contrário. Sentindo-se melhor fica bem mais fácil ir em busca de uma situação de vida mais abundante.

Por André Lima em www.eftbr.com.br

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