quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Reações Inconscientes



Estava ministrando um curso de EFT quando uma aluna fez a seguinte pergunta: “Me veio agora em mente  um pensamento para ensinar EFT para uma determinada pessoa. Por que me surgiu esse pensamento?”.
Achei a pergunta um tanto estranha e respondi dizendo: “eu não sei”. Por que realmente eu não tinha como ter essa resposta. Além disso, dentro do que estava sendo debatido, a pergunta também não trazia maiores contribuições para o assunto, era bem irrelevante, portanto seria melhor seguir adiante.  Alguns dos alunos acharam engraçada a pergunta.
Diante da minha reposta, a aluna se queixou que era a segunda vez durante o curso que ela se sentia desrespeitada. Que havia feito uma pergunta anteriormente e as pessoas riram, e que a reposta que eu dei não seria a resposta que um professor deveria dar. Enquanto falava isso, começou a chorar. Falei que não era intenção de ninguém desrespeitá-la, nem minha nem de nenhum outro aluno, que talvez a forma como ela havia falado teria sido um tanto engraçada,  e que algumas pessoas riram por isso. Falei também que eu realmente não sabia a resposta que não teria como dizer nada além do “eu não sei”.
Essa mesma aluna se candidatou a receber uma sessão de EFT comigo logo em seguida. Durante os cursos, eu faço sessões de EFT com alunos que queiram ser voluntários diante da turma. Ao trazer uma situação para ser trabalhada, ela lembrou que, uma vez em sala de aula quando era criança, havia feito uma pergunta onde todo mundo caiu na gargalhada, inclusive a professora. Ao contar essa situação, a lembrança vinha carregada com sentimento de mágoa, vergonha e choro.
 Neste momento, deu para entender perfeitamente a reação anterior da aluna durante a aula. De quem é que ela estava com raiva e por que estava se sentindo desrespeitada na verdade? A carga emocional de um evento do passado ainda carregado de sentimentos brotou, levando a aluna a ter uma reação inconsciente.
Quando temos esse tipo de reação, muitas vezes não ficará claro a conexão com uma situação semelhante mal resolvida do passado. Apenas sentimos algo negativo e vamos responsabilizar alguém ou alguma situação presente como sendo a causadora do nosso mal estar. Foi exatamente o que ocorreu com a aluna. Só que logo em seguida ela lembrou da situação passada e resolveu trabalhar os sentimentos em uma sessão de EFT. Ao relatar este evento, surgiram sentimentos de raiva, vergonha, tristeza e outros, e fomos limpando um a um com a EFT.
O resultado foi que em poucos minutos, aquela lembrança perdeu todo o peso emocional e ela mesma começou a rir da cena, enxergando agora que ela realmente havia falado de forma engraçada na escola. Os sentimentos negativos distorcem completamente a visão dos acontecimentos. Quando os dissolvemos, a nossa percepção do que ocorreu muda completamente e não raras vezes, vejo as pessoas rirem de fatos que há poucos instantes as faziam chorar.
Uma situação como essa, aparentemente boba, fica mal resolvida dentro de nós e provoca uma série de reações inconscientes ao longo da vida prejudicando nossos relacionamentos.  A aluna relatou também que na relação com o marido e filho eles eram impacientes com suas perguntas e ela se sentia rejeitada com isso. Limpamos também esses sentimentos com a EFT.  Novamente ela começou a rir das suas reações depois que as emoções foram liberadas.
O que ocorria é que, por uma carência emocional, ela precisava o tempo inteiro fazer perguntas bobas, onde as pessoas não tinham como dar respostas. Fazia perguntas infantis no intuito de obter atenção, apenas para engatar uma conversa. Quando uma criança faz perguntas assim, tudo bem. Mas quando um adulto, movido por uma carência interior age dessa forma, vai causar irritação. Ainda mais no relacionamento com homens, que tendem a ser mais objetivos e gostam de resolver problemas. Ou seja, quando a mulher pergunta algo para o marido, ele não entende que ela esteja querendo apenas conversar. Ele sente um impulso de obter uma resposta prática para a situação, pois é da sua natureza. Como as perguntas dela não podiam ser respondidas dessa forma, o marido acabava vendo aquilo como algo totalmente sem sentido e ficava impaciente, dando resposta curtas e grossa do tipo “eu não sei”. Compreendi mais profundamente a reação dela à reposta que eu havia dado.  “Você respondeu igual ao meu marido”. Foi o que ela disse em outro momento.
No nosso dia a dia temos esse tipo de reação inconsciente o tempo inteiro, nas relações interpessoais e diante dos fatos da vida. O sentimento negativo guardado de um fato passado vem a tona, e molda nossos pensamentos e ações, sem que a gente se dê conta do que realmente está por trás da nossa forma de sentir e agir. Teremos uma forte tendência a justificar a nossa reação e culparemos as pessoas e situações ao nosso redor. É como se aquela dor que ficou guardada do passado não quisesse vir à tona para ser liberada. Ela cria um sistema de auto defesa e auto alimentação. Cada situação nova que ocorre, serve para alimentar e ampliar o sofrimento interior guardado. Os sentimentos negativos criam vida própria, e não desejam ser dissolvidos. É preciso muita atenção e auto observação para enxergar esses mecanismos e não cair na armadilha de perpetuá-los.
Outra vez recebi um e-mail de uma leitora. Ela se queixava que havia entrado em contato anteriormente e que eu não havia respondido. Falou que estava decepcionada mas que isso era normal, que o ser humano é assim mesmo. Respondi que não recebi nada dela anteriormente, e que esse era o primeiro e-mail dela que havia chegava na minha caixa. Quando ela me respondeu, pediu desculpas pela forma como havia escrito anteriormente,  e em um tom bem humorado disse que naquele dia estava se sentindo frustrada por outras situações e que “acabou sobrando pra você”.
Existem inúmeras situações do passado que ficam mal resolvidas e passamos a vida reagindo sendo influenciados por esses sentimentos: mágoas, críticas, perdas, frustrações, traições, medos, tristeza, rejeições. Muitos andam como se fossem uma bomba relógio esperando apenas uma oportunidade para explodir emocionalmente, projetando seus sentimentos mal resolvidos em situações do presente. E muito desse material vem lá da infância, da relação com os pais e a família.
Por isso que é muito importante acessar e limpar esses eventos. Não importa se você vê a influência deles no seu presente. Na maioria das vezes você não terá essa consciência do quanto eles são prejudiciais. Comece a dissolver esses sentimento e certamente sua vida ficará mais fácil, suas reações mais sensatas e maduras.

Por André Lima em www.eftbr.com.br

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Minimamente Feliz !




"A felicidade é a soma das pequenas felicidades. Li essa frase num outdoor em Paris e soube, naquele momento, que meu conceito de felicidade tinha acabado de mudar. Eu já suspeitava que a felicidade com letras maiúsculas não existia, mas dava a ela o benefício da dúvida.

Afinal, desde que nos entendemos por gente aprendemos a sonhar com essa felicidade no superlativo. Mas ali, vendo aquele outdoor estrategicamente colocado no meio do meu caminho (que de certa forma coincidia com o meio da minha trajetória de vida), tive certeza de que a felicidade, ao contrário do que nos ensinaram os contos de fadas e os filmes de Hollywood, não é um estado mágico e duradouro.

Na vida real, o que existe é uma felicidade homeopática, distribuída em conta-gotas. Um pôr-de-sol aqui, um beijo ali, uma xícara de café recém-coado, um livro que a gente não consegue fechar, um homem que nos faz sonhar, uma amiga que nos faz rir. São situações e momentos que vamos empilhando com o cuidado e a delicadeza que merecem alegrias de pequeno e médio porte e até grandes (ainda que fugazes) alegrias.

Eu contabilizo tudo de bom que me aparece', sou adepta da felicidade homeopática. 'Se o zíper daquele vestido que eu adoro volta a fechar (ufa!) ou se pego um congestionamento muito menor do que eu esperava, tenho consciência de que são momentos de felicidade e vivo cada segundo.
Alguns crescem esperando a felicidade com maiúsculas e na primeira pessoa do plural: 'Eu me imaginava sempre com um homem lindo do lado, dizendo que me amava e me levando pra lugares mágicos Agora, se descobre que dá pra ser feliz no singular:

'Quando estou na estrada dirigindo e ouvindo as músicas que eu amo, é um momento de pura felicidade. Olho a paisagem, canto, sinto um bem-estar indescritível'.
Uma empresária que conheci recentemente me contou que estava falando e rindo sozinha quando o marido chegou em casa. Assustado, ele perguntou com quem ela estava conversando: 'Comigo mesma', respondeu. 'Adoro conversar com pessoas inteligentes' - Criada para viver grandes momentos, grandes amores e aquela felicidade dos filmes, a empresária trocou os roteiros fantasiosos por prazeres mais simples e aprendeu duas lições básicas: que podemos viver momentos ótimos mesmo não estando acompanhadas e que não tem sentido esperar até que um fato mágico nos faça felizes.

Esperar para ser feliz, aliás, é um esporte que abandonei há tempos. E faz parte da minha 'dieta de felicidade' o uso moderadíssimo da palavra'quando'. Aquela história de 'quando eu ganhar na Mega Sena', 'quando eu me casar', 'quando tiver filhos', 'quando meus filhos crescerem', 'quando eu tiver um emprego fabuloso' ou 'quando encontrar um homem que me mereça', tudo isso serve apenas para nos distrair e nos fazer esquecer da felicidade de hoje. Esperar o príncipe encantado, por exemplo, tem coisa mais sem sentido? Mesmo porque quase sempre os súditos são mais interessantes do que os príncipes; ou você acha que a Camilla Parker-Bowles está mais bem servida do que a Victoria Beckham?

Como tantos já disseram tantas vezes, aproveitem o momento, amigos. E quem for ruim de contas recorra à calculadora para ir somando as pequenas felicidades.
Podem até dizer que nos falta ambição, que essa soma de pequenas alegrias é uma operação matemática muito modesta para os nossos tempos. Que digam.
Melhor ser minimamente feliz várias vezes por dia do que viver eternamente em compasso de espera".

Texto atribuído a Leila Ferreira, jornalista

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Abandone a necessidade de ser reconhecido



O ego precisa ser reconhecido. A indiferença é a pior coisa pra ele.  As crianças desde bem pequenas já demonstram essa necessidade. Querem ser vistas e ouvidas pelos adultos. Adoram receber atenção. Quer ver uma criança feliz? Dê atenção pra ela. Converse sobre as coisas do seu mundo infantil, pergunte sobre sua vida, brinque com ela.

Quando não damos esse tipo de atenção e reconhecimento positivo a criança, ela irá buscar de uma forma negativa. E isso acontece da seguinte forma. Muitas vezes os adultos deixam de dar atenção e de elogiar as crianças, o que seria uma forma positiva de reconhecimento. Entretanto, quando a criança age de uma forma indesejada, ela logo recebe uma crítica. A critica é uma forma de atenção negativa, mas ainda assim é um tipo de reconhecimento. O adulto está interagindo com a criança, está reconhecendo sua existência, mesmo que de forma desagradável. Entretanto, para o ego, é melhor receber esse tipo de atenção negativa do que nenhuma atenção.
Inconscientemente, a criança que não é elogiada sabe que basta fazer algo tido como “errado” que logo receberá a atenção de algum adulto. Não é proposital. Ela é levada por um impulso interior a cometer algo para receber atenção. Como as ações positivas não estão gerando qualquer tipo de reconhecimento, ela automaticamente se condiciona a agir de forma negativa,  e acaba conseguindo ser reconhecida.
Por isso é que a melhor forma de transformar o comportamento das crianças é elogiar cada vez mais tudo de bom que elas fizerem e ignorar seus comportamentos negativos. O ego então entende que, para ganhar atenção, é melhor tomar atitudes que os adultos gostam, e que ações negativas não trazem esse benefício. Com o passar do tempo, a criança passa a agir de forma cada vez mais positiva (desde que os adultos estejam sempre elogiando e reconhecendo) e vão abandonando os comportamentos negativos.
Mas não é assim que a maioria dos adultos age. Normalmente, o padrão é o de elogiar  pouco e criticar bastante, o que acaba reforçando os comportamentos negativos.
Esse mesmo mecanismo de reconhecimento explica o que atrai as pessoas para o crime nas comunidades. Como alguém pode se sentir atraído por coisas tão negativas, com tantos riscos e sofrimento? Crianças e adolescentes sentem-se  ignorados, e sentindo esse vazio interior, acabam indo buscar no crime o reconhecimento que necessitam. Mesmo que sejam vistos como marginais por muitos, ainda assim, estão tendo a sua existência reconhecida. Para o ego, isso é melhor do que a indiferença, por mais estranho que pareça.
As vezes, o governo implanta programas sociais nas áreas carentes,  e essas pessoas agora tem a chance de ser reconhecidas de uma forma positiva: praticando esportes, estudando para ser “alguém” e ter uma profissão. Assim, muitos vão largar a delinqüência e outros deixarão de entrar nela por que agora há uma outra possibilidade muito melhor de ganhar reconhecimento.
Mas a necessidade de reconhecimento não se aplica somente as criança e adolescentes. Ao nos tornarmos adultos, deveríamos nos sentir cada dia mais livres desta necessidade. Para alguns há realmente uma diminuição, mas outros continuam tão necessitados de reconhecimento como as crianças. Esse padrão acaba levando a sofrimento, pois o bem estar fica dependendo da apreciação de terceiros: chefe, marido, esposa, pais, amigos e etc. E logicamente, nem sempre as pessoas irão nos elogiar, reconhecer e nos dar atenção.
Podemos abrir mão conscientemente dessa necessidade todas as vezes que a detectarmos. É preciso se auto observar, ficar bastante atento e reconhecer que nada de mal nos acontece se não formos reconhecidos. É apenas uma necessidade emocional infantil enraizada.
 Quanto mais abandonarmos essa necessidade, mais adultos nos tornamos. Nossos relacionamentos melhoram pois ficaremos mais em paz e nesse estado deixaremos de criar conflitos de forma inconsciente. O mais curioso, é que haverá uma tendência  que as pessoas venham a nos dar atenção, nos elogiar e reconhecer. Mas agora você já não é mais dependente disso para ser feliz e não está fazendo coisas no intuito de ganhar atenção. Poderá então curtir o reconhecimento sem o lado ruim que é a necessidade interior. Ou seja, quando você for  reconhecido, será prazeroso, mas a falta do reconhecimento não trará qualquer tipo de sofrimento.
Quando temos a necessidade de reconhecimento, o prazer provocado pela atenção e elogios é em parte uma falsa satisfação. Parte desse prazer é na verdade o encobrimento de um sofrimento oculto, que é a necessidade. Esse tipo de prazer se assemelha ao  de uma pessoa compulsiva por comida (ou qualquer tipo de vício) quando está se alimentando.
Vamos supor um chocólatra. Ao comer o chocolate ele sente um prazer enorme. Logo esse prazer passa e ele precisará de mais chocolate para se sentir bem. Mas por que é que ele necessitou a princípio do chocolate? Uma inquietação interior, a qual chamamos normalmente de ansiedade,  se manifestou gerando uma busca por alívio. No caso do chocólatra, ele irá buscar na sensação de prazer de comer o chocolate o alívio passageiro para sua inquietação. Comer chocolate então não é assim então um prazer tão real pois está atrelado a uma dependência que traz alivio de um sofrimento. Uma pessoa que não tenha essa dependência poderá curtir um chocolate de forma verdadeira, sem o lado ruim da necessidade. E nesse caso ela irá se sentir saciada com uma pequena quantidade, que, se for ultrapassada acabará causando enjôo.
Fazendo mais uma comparação. Imagine alguém que compre sapatos muito apertados. Ao chegar em casa, sente um  alivio e um prazer enorme ao tira-los dos pés. Mas não seria melhor andar com sapatos mais confortáveis? “Não, assim eu não teria o prazer de sentir o alivio ao ficar descalço”. Alguém pode pensar dessa forma, mas é algo certamente insano.
O sentimento de necessidade de reconhecimento é mais ou menos como a sensação do sapato apertado que precisamos aliviar de vez em quando recebendo atenção de alguém. É uma prisão emocional.
Ao mesmo tempo que você decide abandonar a  necessidade de ser reconhecido, adote o hábito de elogiar e reconhecer as outras pessoas: filhos, amigos, funcionários, cônjuge e etc. e observe as atitudes das pessoas melhorarem cada vez mais no relacionamento com você. Abandone também as críticas e veja as mudanças positivas que isso irá trazer.

André Lima em www.eftbr.com.br

ASSISTAM!

Povo, vejam o apanhado de cenas compiladas no filme acima!
muito inspirador...

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Ingratidão e Falta de Prosperidade



Atendi uma aluna que se encontrava com sérios problemas financeiros. Funcionária pública concursada, ganhava muito pouco e se sentia humilhada e revoltada por isso. Ficava com muita raiva quando relatava que seu salário mal dava para quitar a prestação do apartamento e o condomínio. Comparava seus ganhos aos de outros servidores e isso a fazia sentir ainda mais revolta e indignação. Dizia coisas como: “Tenho até vergonha de dizer que isso que eu ganho é um salário, porque não dá pra nada. Meu pai me deu uma boa educação, sou preparada, não é justo. Não sobra pra nada. E a condução? E o lazer? Me sinto indignada”. Palavras carregadas com sentimentos intensos de raiva, injustiça e revolta.

Todos esses sentimentos, além de trazer um grande mal estar, acabam nos levando a ter ainda mais problemas financeiros. A ingratidão é um sentimento altamente negativo, o que ajuda a atrair e criar situações ainda piores. Era o que acontecia com ela. Coisas simples, que pela lógica deveriam se resolver de forma rápida, acabavam se complicando e não se resolvendo, o que levava a mais sentimentos de revolta. Acontecia todo o tipo de coincidência negativa para que as coisas não tivessem um bom desfecho. A gratificação no trabalho que lhe era de direito não saía. Um dinheiro que lhe era devido pelo INSS também não saía, correndo até o risco de não receber em definitivo.

Somando-se tudo isso a outras situações de sua vida, os sentimentos foram tão intensos que acabaram levando a uma depressão e afastamento do trabalho. Como alguém em um estado tão negativo poderá ter lucidez e energia para estudar e passar em um concurso melhor, ou para criar alternativas de se ganhar mais? Fica realmente bem difícil, e a tendência é que a pessoa se afunde cada vez mais contaminada pela própria negatividade.

Inconscientemente começamos a nos sabotar. Quanto mais revolta, mais a nossa criatividade e disposição vai embora. A auto sabotagem aparecerá de diversas formas: procrastinação, desorganização, falta de atitudes simples, não conseguir estudar, falta de ações para ir em busca de um emprego melhor e etc.

Já uma outra aluna contou uma história pessoal interessante. Ela tinha uma Kombi velha que vivia quebrando. Isso a fazia sentir muita raiva. Vivia reclamando do quanto a Kombi lhe deixava na mão e que já havia até pegado fogo. Ela dizia que tinha até vontade de jogar gasolina e queimar o veículo completamente, e vivia verbalizando isso.

Até que, em um determinado momento, depois de muito aprendizado na área de auto conhecimento, percebeu que seus sentimentos estavam lhe trazendo mal estar e mais problemas e entendeu que deveria mudar. Deve ter sido um insight profundo. Vendo que suas queixas  e pensamentos negativos não solucionavam nada, ficou claro que  ela precisava mudar completamente o foco. Ao invés de raiva da Kombi, começou a reconhecer tudo que o veículo já havia lhe ajudado. Sim, ela continuou tendo consciência  de que o veículo quebrava bastante, mas resolveu  agradecer por todos os momentos e serviços que a Kombi fazia quando não quebrava,  o que  não era pouca coisa.

Ela relatou então que essa mudança de visão trouxe um alívio completo da negatividade. E, o melhor de tudo, é que, após essa mudança completa de sentimento, “coincidentemente” ela fechou um bom contrato com uma empresa e conseguiu comprar um caminhão à vista. Isso mesmo. Nada mais de Kombi velha quebrando toda hora. Segundo a sua percepção, a chegada de um novo contrato tão bom só ocorreu por que ela estava se sentindo bem melhor.

Quando nos sentimos mal, ou seja, quando estamos no modo da ingratidão, as situações boas se afastam. E mais. A nossa visão condicionada a ver coisas negativas passa a não enxergar boas oportunidades. Haverá uma grande tendência em enxergar e entrar em situações que irão perpetuar o nosso sofrimento.

A primeira aluna estava esperando a situação melhorar para que ela pudesse se sentir grata e feliz. Ela queria o dinheiro do INSS saísse, que a gratificação que lhe era de direito também. Como nada disso ocorria ela ficava cada vez pior e contribuía inconscientemente para que nada se resolvesse.

Tem uma lógica oculta por trás desse tipo de padrão emocional que é como se dissesse “vou reclamar bastante, sofrer bem muito, quem sabe assim as coisas mudam”. Esse é um condicionamento que muitas vezes vem lá da infância, quando aprendemos ainda bebê que, ao chorarmos, ou seja, ao demonstrarmos nossa insatisfação e infelicidade, nossos desejos serão atendidos, pois era assim que conseguíamos as coisas. Isso é saudável e normal quando somos bebês, mas quando crescemos torna-se algo completamente doentio.

Já a segunda aluna, resolveu que seria feliz e grata, mesmo que as coisas não estivessem acontecendo da forma ideal.  Isso acabou transformando sua realidade. Primeiro ela mudou o interior e assim viu acontecer mudanças significativas no exterior.

A maioria das pessoas quer que aconteça o contrário. Esperam que o exterior mude para que elas possam ficar em paz. É uma inversão completa da ordem natural das coisas. No meu caso mesmo, minha vida profissional e financeira só melhorou depois que eu busquei auto conhecimento, limpei crenças negativas, melhorei minha auto estima. Aí sim, as coisas começaram a dar certo.  Enquanto eu me debatia me sentindo deprimido e injustiçado, as finanças ficavam cada vez pior.

O sofrimento intenso pode nos levar a chegar a essas conclusões. Foi o que aconteceu com a aluna que tinha a Kombi. De tanto sofrer, ela resolveu aceitar sem revolta o que ela tinha, e foi além, sentiu gratidão. A gratidão é um poderoso gerador de prosperidade.

Ao invés de sentir raiva por que o salário “não dá pra nada” o sentimento deve ser de gratidão por que dá pra pagar o apartamento e o condomínio. Não se deixa de reconhecer com isso que o salário ainda é baixo. Isso também não será um fator que trará sentimento de acomodação. Pelo contrário. Sentindo-se melhor fica bem mais fácil ir em busca de uma situação de vida mais abundante.

Por André Lima em www.eftbr.com.br

sexta-feira, 4 de novembro de 2011



Para o melhor amigo, o melhor pedaço

Serapião era um velho mendigo que perambulava pelas ruas da cidade. 
Ao seu lado, o fiel escudeiro, um vira lata branco e preto que atendia pelo nome de malhado. 
Serapião não pedia dinheiro. Aceitava sempre um pão, uma banana, um pedaço de bolo ou outro alimento qualquer. 
Quando suas roupas estavam imprestáveis, logo era socorrido por alguma alma caridosa. Mudava a apresentação e era alvo de brincadeiras. 
O mendigo era conhecido como um homem bom que perdera a razão, a família, os amigos e até a identidade. 
Não tomava bebida alcoólica e estava sempre tranqüilo, mesmo quando não recebia nada de comida. 
Dizia sempre que Deus lhe daria um pouco na hora certa e, sempre na hora que precisava alguém lhe estendia uma porção de alimentos. 
Serapião agradecia com reverência e rogava a Deus pela pessoa que o ajudava. 
Tudo que ganhava, dava primeiro para o malhado, que, paciente, comia e ficava esperando por mais um pouco. 
Não tinham onde passar as noites; onde anoiteciam, lá dormiam. Quando chovia, procuravam abrigo embaixo da ponte do ribeirão. Ali o mendigo ficava a meditar, com um olhar perdido no horizonte. 
Aquela figura era intrigante, pois levava uma vida vegetativa, sem progresso, sem esperança e sem um futuro promissor. 
Certo dia, um homem, com a desculpa de lhe oferecer umas bananas, foi bater um papo com o velho mendigo. 
Iniciou a conversa falando do malhado, perguntou pela idade dele, mas Serapião não sabia.
Dizia não ter idéia, pois se encontraram num certo dia, quando ambos perambulavam pelas ruas. 
Nossa amizade começou com um pedaço de pão disse o mendigo. Ele parecia estar faminto e eu lhe ofereci um pouco do meu almoço e ele agradeceu, abanando o rabo, e daí, não me largou mais. 
Ele me ajuda muito e eu retribuo essa ajuda sempre que posso.
Como vocês se ajudam? Perguntou. Ele me vigia quando estou dormindo; ninguém pode chegar perto que ele late e ataca. Também quando ele dorme, eu fico vigiando para que outro cachorro não o incomode. 
Continuando a conversa, o homem lhe fez uma nova pergunta: Serapião, você tem algum desejo de vida? 
Sim, respondeu ele tenho vontade de comer um cachorro quente, daqueles que tem na lanchonete da esquina. 
Só isso? Indagou. 
É, no momento é só isso que eu desejo. 
Pois bem, disse-lhe o homem, vou satisfazer agora esse grande desejo. 
Saiu e comprou um cachorro quente e o entregou ao velho. 
Ele arregalou os olhos, deu um sorriso, agradeceu a dádiva e em seguida tirou a salsicha, deu para o malhado, e comeu o pão com os temperos. 
O homem não entendeu aquele gesto, pois imaginava que a salsicha era o melhor pedaço. 
Por que você deu para o malhado, logo a salsicha? Interrogou, intrigado. 
Ele, com a boca cheia, respondeu: “para o melhor amigo, o melhor pedaço.” 
E continuou comendo, alegre e satisfeito. 


fonte

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A ABUNDÂNCIA



Eckhart Tolle

Quem nós pensamos que somos está intimamente ligado a como nos consideramos tratados pelos outros. Muitas pessoas se queixam de que não recebem um tratamento bom o bastante. "Não me tratam com respeito, atenção, reconhecimento, consideração. Tratam-me como se eu não tivesse valor", elas dizem. Quando o tratamento é bondoso, elas suspeitam de motivos ocultos. "Os outros querem me manipular, levar vantagem sobre mim. Ninguém me ama."
Quem elas pensam que são é isto: "Sou um ‘pequeno eu’ carente cujas necessidades não estão sendo satisfeitas." Esse erro básico de percepção de quem elas são cria um distúrbio em todos os seus relacionamentos. Esses indivíduos acreditam que não têm nada a dar e que o mundo ou os outros estão ocultando delas aquilo de que precisam. Toda a sua realidade se baseia num sentido ilusório de quem elas são. Isso sabota situações, prejudica todos os relacionamentos. Se o pensamento de falta – seja de dinheiro, reconhecimento ou amor – se tornou parte de quem pensamos que somos, sempre experimentaremos a falta. Em vez de reconhecermos o que já há de bom na nossa vida, tudo o que vemos é carência. Detectarmos o que existe de positivo na nossa vida é a base de toda a abundância. O fato é o seguinte: seja o que for que nós pensemos que o mundo está nos tirando é isso que estamos tirando do mundo. Agimos assim porque no fundo acreditamos que somos pequenos e que não temos nada a dar.
Se esse for o seu caso, experimente fazer o seguinte por duas semanas e veja como a sua realidade mudará: dê às pessoas qualquer coisa que você pense que elas estão lhe negando – elogios, apreço, ajuda, atenção, etc. Você não tem isso? Aja exatamente como se tivesse e tudo isso surgirá. Logo depois que você começar a dar, passará a receber. Ninguém pode ganhar o que não dá. O fluxo de entrada determina o fluxo de saída. Seja o que for que você acredite que o mundo não está lhe concedendo você já possui. Contudo, a menos que permita que isso flua para fora de você, nem mesmo saberá que tem. Isso inclui a abundância. A lei segundo a qual o fluxo de saída determina o fluxo de entrada é expressa por Jesus nesta imagem marcante "Daí, e dar-se-vos-à. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada, sacudida e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também."

A fonte de toda a abundância não está fora de você. Ela é parte de quem você é. Entretanto, comece por admitir e reconhecê-la exteriormente. Veja a plenitude da vida ao seu redor. O calor do sol sobre a sua pele, a exibição de flores magníficas num quiosque de plantas, o sabor de uma fruta suculenta, a sensação no corpo de toda a força da chuva que cai do céu. A plenitude da vida está presente a cada passo. Seu reconhecimento desperta a abundância interior adormecida. Então permita que ela flua para fora. Só o fato de você sorrir para um estranho já promove uma mínima saída de energia. Você se torna um doador. Pergunte-se com freqüência: "O que eu posso dar neste caso? Como posso prestar um serviço a esta pessoa nesta situação?" Você não precisa ser dono de nada para perceber que tem abundância. Porém, se sentir com freqüência que a possui, é quase certo que as coisas comecem a acontecer na sua vida. Ela só chega para aqueles que já a têm. Parece um tanto injusto, mas é claro que não é. É uma lei universal. Tanto a fartura quanto a escassez são estados interiores que se manifestam como nossa realidade. Jesus fala sobre isso da seguinte maneira: "Pois, ao que tem, se lhe dará; e ao que não tem, se lhe tirará até o que não tem"…

terça-feira, 11 de outubro de 2011

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Ser criativo a partir da quietude



Eu tenho feito um bocado de coisas estressantes na minha vida, e sim, às vezes meus nervos ficaram realmente em frangalhos. Como musicista clássica, e agora como diretora de ópera, eu tenho que ter o meu melhor desempenho, na frente de muitas pessoas, com uma chance somente de fazer o certo.

Ás vezes eu era um sucesso e ás vezes um desastre, e eu costumava basear minha felicidade em realizar a primeira opção. Eu fazia isso ao me preparar durante horas, planejando com perfeição, me assegurando que eu poderia fazer isso em meu sono. Então eu rezaria por um toque mágico de inspiração. Miraculosamente, muitas vezes vinha, mas era uma maneira exaustiva de viver, e apesar dos meus sucessos, um medo subconsciente de fracasso circulava na minha cabeça. Agora, depois de aprender a ser íntima com a quietude interior, mudei totalmente minha maneira de trabalhar.

Ao mesmo tempo em que eu estava fazendo minha Maestria no curso do Ser com os Ishayas, eu completei minha formação como diretora de ópera, o que foi a realização de um sonho. A tarefa de diretora é complexa. Ela decide se a ópera se realiza em um sombrio porão de 300 anos, em um moderno edifício de escritórios, ou em um bordel francês dos anos 20. Seu trabalho é saber se um personagem está mentindo ou dizendo a verdade, ou se ele secretamente está apaixonado por sua tia, e é o trabalho dos diretores inspirar todos a expressar isso da melhor maneira possível.

Como recém formada diretora de ópera, dirigi uma ópera para crianças de escola. Nesse período, eu estava desenvolvendo uma experiência bem estável de paz interior, e um pouco antes de começarmos a ensaiar, passei 6 semanas em um retiro de Ascensão e reconheci que eu poderia escolher esta paz a qualquer tempo. Então, voltei para o teatro de ópera com a intenção de realizar meu trabalho a partir deste espaço.

Foi uma experiência totalmente mágica. Eu estava calma, fluindo, espontânea e em controle da situação. Eu interagia com os cantores de uma maneira completamente nova, uma vez que eu estava realmente ali, presente ao que me era dado no momento. Nós nos divertimos tanto juntos! E o mais incrível foi que isto era feito sem planejamento. Não estou dizendo que eu não estava preparada, afinal eu mesma tinha realizado este trabalho, mas não planejava cada pequeno detalhe. Eu não estava planejando à frente na minha mente, como costumava fazer, sempre me preparando para o que eu ia fazer nos próximos cinco minutos. Eu estava presente. Era maravilhoso. Se de repente eu não sabia o que fazer, eu levava cinco segundos e me concentrava interiormente, e aí estava, uma idéia nova.

Ocasionalmente os antigos hábitos de controle vinham me visitar. Eu ainda estava me agarrando às velhas maneiras de tentar fazer tudo perfeitamente. Ás vezes ainda acreditava que se algo desse “errado”, era falha minha ou que eu não estava à altura da tarefa. Ás vezes eu era atacada pelo medo e ficava toda a noite planejando o dia seguinte, como sempre costumava fazer. O dia seguinte não era nem um pouco divertido, e após um curto período, voltei ao plano A: Ficar quieta, e ver o que acontece. Funcionou como mágica! Ficou muito claro para mim que a melhor coisa que eu podia fazer era me render à quietude e ver o que acontecia a seguir. Preocupar-me simplesmente não funcionava.

As pessoas começaram a notar como eu estava calma, em meio ao caos de um teatro de ópera às vésperas de uma estréia. Meus dias eram um fluxo constante de decisões a serem tomadas; que iluminação você quer aqui? Ela pode usar esses sapatos? O que o meu personagem sente agora mesmo? Eu fiz coisas que jamais tinha feito antes, criando cenografia nova, tirando fotos para serem projetadas em telas gigantes nas paredes, colaborando com todos no teatro. E simplesmente me diverti, decidindo sem medo de cometer erros, confiando nos impulsos que eu recebia da minha fonte interior.

Os cantores confiaram em mim, o pessoal confiou em mim, e estou certa de que eles foram influenciados por minha estabilidade. Na verdade a produção inteira foi influenciada por ela. A atmosfera era alegre e grata. Desde o primeiro dia, todos os envolvidos tiveram uma crença forte nesta produção, e eu honestamente não posso lhe dizer porque, a não ser que eu mesma estava sem medo de fracassar. Porque eu tinha percebido que minha felicidade não depende do exterior. A felicidade reside internamente, e o exterior é um grande playground onde todos nós nos divertimos.

Texto de Hiranya 
www.portugues.thebrightpath.com

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Autoconsciência


   Era meu último dia de férias na ilha de Patmos. Como de costume, levantei-me antes do sol surgir para andar antes que o calor se tornasse desconfortável. Escalando a colina sozinha, curiosamente atenta aos pensamentos e sentimentos que passavam pela mente, notei todas as coisas que estavam acabando e eu era consciente de que estaria em casa na minha rotina em breve. A Grécia era um lugar tão exótico e ainda assim familiar, e eu me afeiçoei aos meus colegas nestas duas semanas. Uma lista de tudo que eu estava deixando passou pela minha consciência. O lazer de passar mais tempo de olhos fechados concentrada no interior, explorando a consciência; nadando no mar Egeu e saboreando o sal nos meus lábios; visitando velhos amigos e fazendo novos de todas as partes do globo; comendo a deliciosa comida mediterrânea caseira, iogurte grego e sorvete; relaxando com os Britânicos bebendo chá e comendo biscoitos; o constante pano de fundo do mar; ahhhhhhhh . . .Um sentimento familiar se abateu sobre mim. Lembrei-me que eu costumava chamar essa sensação de tristeza, com um sentido de perda e ressentida melancolia, mas escolhi não colocar esta etiqueta. Na verdade, eu estava consciente dela sem nomeá-la. Sem negar aquele sentimento, eu preenchi minha consciência com a paz legada quando abandonei todo o diálogo sobre a avaliação do que se passava pela minha consciência. O que eu descobri ao invés foi um crescente amor que a tudo abrangia, amor pela oportunidade excepcional de experimentar tudo isto em Patmos, amor por meus colegas, amor por esta forma de abordar as coisas, amor pela minha vida exatamente como ela é. Eu experimentei que aquele sentimento familiar era na verdade amor – a substância do Universo, não o amor condicionado a que somos ensinados a esperar. Experimentei isto de forma autêntica, não negando o rótulo original, esmagando-o ou substituindo o sentimento “triste”. A única consciência que tive foi a compreensão crua de que o amor é tudo que há – sempre, em todas as experiências e nos lugares menos esperados. Aquela não era a primeira vez em que minha consciência era preenchida daquela forma, e ela continua a ser uma experiência freqüente.

  Para que você não pense que eu me tornei uma sonhadora boba recitando letras das canções dos Beatles, eu contarei o que aconteceu depois. Ao observar em seguida minha consciência, notei que houve algo na minha agenda “a fazer” em Patmos que não havia acontecido. Certamente, eu tinha poucas expectativas ao chegar para as férias, e incrivelmente, uma expectativa importante veio a acontecer. Mas este item da agenda parecia imensamente importante nesse momento, trazendo toda uma outra memória de quando não era realizado. As memórias e pensamentos sobre elas ligaram-se em um enorme trem. Eu tinha pensamentos no sentido de soltá-lo, e o trem continuava. Eu fugia dele e ele continuava ali mesmo. Subitamente, minha consciência se moveu 90 graus para simplesmente observar este trem inteiro, e naquela fração de segundo, o inteiro trem de pensamentos, sentimentos, e memórias desapareceu sem uma marca. Eu me lembro escutando, “Ah, isto é o que me manteve distante da minha paz” como um comentário sobre a experiência, e vi aquilo ir também. Como continuei observando, nem uma marca ou remanescente disso reapareceu. Somente permaneceu a absoluta paz. E nem um pouco daquele trem reapareceu desde então.

   Você pode imaginar uma vida onde nada fora de você ou mesmo as coisas que se agitam na sua mente, afetam a sua paz? Numa vida assim, tampouco nada do lado de fora lhe faz mais feliz. Em termos de metáfora, nem o sol nem a chuva afeta o céu, este continua sendo o céu. Ainda assim o céu é rico de auroras e crepúsculos, chuva e neve, vento e poeira. É tudo parte do que nós apreciamos como o céu. Temos a tendência a viver em um mundo governado por nossos pensamentos e emoções, aquelas coisas que se movem pelo céu da nossa consciência. A verdadeira paz vem ao se cultivar a observação da autoconsciência. Isto leva à saúde emocional que, por sua vez, dá uma base sadia para uma vibrante saúde física.


   Cheryl Kasdorf, ND  mantém uma clínica particular em Cottonwood, Arizona. Sua especialidade inclui homeopatia e drenagem Unda, Bowenwork, terapia craniosacral e aconselhamento de estilo de vida. Sua paixão é ajudar os outros a ativarem o processo de cura com o mínimo de recursos externos, empregando mais os recursos internos. Com este objetivo, ela ensina a Ascensão dos Ishayas. Ela considera essas técnicas as mais gentis, mais facilmente realizáveis e mais eficazes e o método mais natural de meditação. Ela pode ser contatada em cherylnmd@yahoo.com ou pelo seu website www.whatishealing.com.


Para saber mais sobre a Ascenção Ishaya, clique aqui. 


Há algum tempo ouvi a história de um homem e uma mulher que moravam na China [...]. Eles haviam acabado de se casar e, quando a noiva se mudou para a casa do marido, ela imediatamente começou a brigar com a sogra por causa de pequenas questões caseiras. Aos poucos, as diferenças aumentaram, até que esposa e sogra não suportavam sequer olhar uma para a outra.
[...] Não havia nenhum motivo real para que a raiva tivesse crescido daquela forma. Mas, um dia, a esposa ficou tão furiosa com a sogra que decidiu que precisava tomar alguma providência para tirá-la do caminho. Então, foi ao médico e pediu um veneno para colocar na comida da sogra.
Ao ouvir as reclamações da jovem esposa, o médico concordou em vender o veneno. “Mas”, ele advertiu, “se eu lhe desse algo forte e com efeito imediato, todos apontariam o dedo para você e diriam: ‘Você envenenou sua sogra’ e eles também descobririam que você comprou o veneno de mim, o que não seria bom para nenhum de nós. Então, vou lhe dar um veneno mais suave que terá um efeito bem gradual, de forma que ela não morrerá imediatamente”.
Ele também a instruiu que, enquanto estivesse dando o remédio, deveria tratar a sogra muito, muito bem. “Sirva todas as refeições com um sorriso”, ele aconselhou. “Diga que você espera que ela goste da comida e pergunte se ela quer que você faça mais alguma coisa. Seja muito humilde e doce para que ninguém suspeite de você.”
Ela concordou e levou o veneno para casa. Na mesma noite, começou a colocar o veneno na comida da sogra e, muito educadamente, lhe ofereceu a refeição. Depois de alguns dias sendo tratada com tanto respeito, a sogra começou a mudar sua opinião sobre a esposa do filho. “Talvez ela não seja tão arrogante assim”, a velha mulher pensou. “Talvez eu tenha me enganado a respeito dela”. E, aos poucos, começou a tratar a nora com mais gentileza, elogiando as refeições e a forma como ela administrava o lar e até conversando e contando piadas.
À medida que a atitude e o comportamento da mulher mudavam, o da jovem também. Depois de alguns dias, ela começou a pensar: “Talvez minha sogra não seja tão ruim quanto imaginei. Na verdade, ela até parece ser uma pessoa muito boa.”
Isso continuou por cerca de um mês, até que as duas mulheres passaram a ser boas amigas. E começaram a se dar tão bem que, em um determinado momento, a moça parou de envenenar a comida da sogra. E, então, começou a se preocupar porque percebeu que já havia colocado tanto veneno em cada refeição que a sogra poderia morrer.
Assim, voltou ao médico e disse: “Cometi um erro. Na verdade, minha sogra é uma pessoa muito boa. Eu não deveria tê-la envenenado. Por favor, me ajude e me dê um antídoto para o veneno”.
O médico ficou em silêncio por um momento depois de ouvir a moça. “Sinto muito”, ele lhe disse. “Não tenho como ajudá-la. Não existe um antídoto”.
Ao ouvir aquilo, a moça ficou terrivelmente abalada e começou a chorar, jurando que se mataria.
“Por que você iria querer se matar?”, o médico perguntou.
A moça respondeu: “Porque envenenei uma boa pessoa e agora ela vai morrer. Eu deveria tirar minha própria vida para me punir pelo ato terrível que cometi”.
Mais uma vez, o médico ficou em silêncio por um momento e então começou a rir.
“Como você pode rir desta situação?”, a moça lhe perguntou, indignada.
“Porque você não precisa se preocupar com nada”, ele respondeu. “Não existe um antídoto para o veneno porque nunca lhe dei veneno algum. O que lhe dei foi uma erva inofensiva”.
Quando mudamos de atitude, tudo ao nosso redor muda também.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Pensador, Observador e Pensamento

A liberdade não é uma idéia, uma filosofia. A liberdade não existe quando a mente está aprisionada no pensamento. (…) O pensamento é a resposta da memória, do conhecimento e da experiência, é sempre produto do passado e não pode criar liberdade (…)(O Mundo Somos Nós, pág. 15)
Como provocar então psicologicamente, interiormente, essa mudança radical (…) fundamental, se ela não acontece por meio de um estímulo, nem por meio da análise e da descoberta da causa? Uma pessoa pode facilmente saber por que é que está encolerizada, mas isso não faz com que ela deixe de se encolerizar. (Idem, pág. 17)
Quando se aprofunda essa questão, surge o problema inevitável do “analisador” e daquilo que é “analisado”, do “pensador” e do que é “pensado”, do “observador” e do “observado”, e o problema de saber se essa divisão (…) é real, (…) um problema de fato, e não uma questão teórica. (O Mundo Somos Nós, pág. 18)
Será o “observador” - o centro a partir do qual se olha, se vê, se ouve - uma entidade conceptual que se separa a si mesma do “observado”? Quando se diz que se está encolerizado, será a cólera diferente da entidade que sabe que está encolerizada? Estará essa violência separada do “observador”? A violência não faz parte do “observador”? (…) (Idem, pág. 18)
O “observador”, e o “eu”, o “ego”, o “experimentador”, o “pensador”, será diferente do pensamento, da experiência, da coisa que ele observa? Quando olhamos uma árvore, alguma vez a olhamos realmente? Ou será que a olhamos através das imagens pertencentes ao conhecimento adquirido, à experiência passada? (Idem, pág. 18)
Se existe uma divisão entre o “observador” e o “observado”, essa divisão é a origem de todo o conflito humano. Quando dizeis que amais alguém, será isso amor? Não haverá, nesse amor, o “observador”, de um lado, e do outro a coisa amada, o “observado”? Esse “amor” é produto do pensamento. (…) (O Mundo Somos Nós, pág. 19)
Vejamos a questão de maneira diferente. Vive-se no passado, todo o conhecimento é do passado. (…) A nossa vida está essencialmente baseada no ontem, e o “ontem” torna-nos impermeáveis, rouba-nos a capacidade da inocência, da vulnerabilidade. Assim, o “ontem” é o “observador”; no “observador” estão todas as camadas do inconsciente, assim como o consciente. (O Mundo Somos Nós, pág. 19-20)
Uma das causas principais do conflito é a existência de um centro, um ego, um “eu”, resíduo de todas as lembranças, (…) experiências, (…) conhecimentos. E esse centro está sempre tratando de ajustar-se ao presente ou de absorvê-lo (…) O que ele já conhece é todo o conteúdo de milhares de dias pretéritos, e com esse resíduo procura enfrentar o presente. (…) E nesse processo do passado, que traduz o presente e cria o futuro, se acha aprisionado o “eu”, o ego. E nós somos isso. (O Passo Decisivo, pág. 112)
Assim, a fonte do conflito é o “experimentador” e a coisa que está “experimentando”. (…) Enquanto houver separação entre pensador e pensamento, experimentador e coisa experimentada, observador e coisa observada, tem de haver conflito. (…) Ora, pode-se anular essa divisão ou separação, de modo que sejais o que vedes, sejais o que sentis? (O Passo Decisivo, pág. 112)
Se você está prestando atenção, o que ocorre? Não há o “você” prestando atenção. Não há um centro que diga: “Estou prestando atenção”. (…) Se você está sério e prestando atenção, logo descobrirá que todos os seus problemas se foram, pelo menos no momento. Resolver problemas é prestar atenção. (…) (Perguntas e Respostas, pág. 67)
Digo: “Eu penso”. O pensamento é diverso da entidade que diz: “estou pensando”? Dizemos que as duas coisas são separadas, que o “eu” pensa ser diferente do pensamento. Presumimos que o “eu” vem em primeiro lugar; o “eu”, o “ego” é o pensador; primeiro este, depois o pensamento, a mente. Separamos, pois, o “eu” e a mente. Mas, isso é um fato? (…) (As Ilusões da Mente, pág. 114)
(…) Só depois de eliminado o pensante, se manifesta a Realidade. Essa unidade indivisível do pensante e do pensamento é para ser conhecida. Esse conhecimento traz-nos libertação; existe nele uma alegria inexprimível. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 24-25)
Análise implica divisão - o analista e a coisa a analisar. Não importa se sois vós mesmo que vos analisais, ou se é um especialista quem o faz - de qualquer maneira há divisão e, por conseguinte, já temos o começo do conflito. (…) Eis por que tanto importa compreender o “processo” da análise, a que a mente humana está apegada há tantos séculos. (A Questão do Impossível, pág. 32)
Dentre os numerosos fragmentos em que nos achamos divididos, um assume a função de “analista”; a coisa que se vai analisar é outro fragmento. Esse analista se torna o “censor”; com seus conhecimentos acumulados, avalia o bom e o mau, o certo e o errado, o que deve ou não deve ser reprimido, etc. Outrossim, o analista tem o dever de fazer análises completas (…) (Idem, pág. 32)
Como já vimos, há separação entre o analista e a coisa a analisar, entre o observador e a coisa observada; esta é a causa básica do conflito. Quando observamos, sempre o fazemos com base num centro, em nosso fundo de experiência e conhecimento; o “eu”, como católico, comunista ou “especialista” - está observando. Há, assim, separação entre “mim” e a coisa observada. (…) Há, pois, “observador” e “coisa observada”; nessa divisão produz-se, inevitavelmente, contradição. Essa contradição é a raiz de todas as lutas. (Idem, pág. 33)
Ora, é o pensante diferente do seu pensamento? Se cessa o pensamento, onde fica o pensante? Se fossem retiradas as qualidades do pensante, do “eu”, continuaria ele a existir? Assim, os pensamentos são o pensante, não estão separados. (…) O pensante separou-se de seus pensamentos para proteger-se (…) No momento em que o pensante começa a modificar-se, deixa de existir. (Da Insatisfação à Felicidade, pág. 103)
Quando uma pessoa se analisa, há sempre “o analisador” e “a coisa analisada”. O analisador é aquele que está a olhar do lado de fora - a julgar, a avaliar, a controlar, a reprimir, etc. Mas será possível uma pessoa ver-se intimamente, como realmente é? Ou seja, poderá a pessoa olhar para si mesma sem o pensador, o observador - o observador que está sempre de fora, que é o censor, a entidade que avalia, que diz “isto está certo”, “isto está errado”, “isto deveria ser”, “isto não deveria ser” - o que torna a observação muito limitada e meramente de acordo com o condicionamento social, ambiental e cultural. (O Mundo Somos Nós, pág. 126)
Os pensamentos criaram o “pensador”, porque os pensamentos são transitórios, e (…) dizemos que o pensador é permanente. Desse modo, na busca de permanência, os pensamentos criaram o pensador. E então o pensador domina os pensamentos e molda-os. (…) Os pensamentos criaram o pensador (…) Ao ser percebida a verdade a esse respeito, não há mais o controlar dos pensamentos, (…) só há o pensar. Se digo tal coisa e ela é compreendida, nisso já há uma revolução extraordinária; porque então já não existe o “pensador” (…) Perceber a verdade a esse respeito é o começo da meditação. (…) (O Problema da Revolução Total, pág. 126)
E possível, pois, olhar-se não analiticamente e, portanto, observar sem que seja o “eu” aquele que observa? Quero compreender a mim mesmo e sei que o “eu” é muito complexo; é uma coisa viva, não algo morto; é uma coisa viva, vital, em movimento, não apenas um acúmulo de recordações, experiências e conhecimentos. (…) Pois bem: é possível olhar sem o observador que olha a coisa observada? (…) (El Despertar de la Inteligencia, pág. 116)
Se é o observador quem olha, então deve fazê-lo mediante a fragmentação, a divisão, e onde há divisão - dentro e fora de si mesmo - deve haver conflito. No externo, os conflitos nacionais, os religiosos, os econômicos, e, no interno, está este campo imerso, não só no superficial, senão na área dilatada acerca da qual nada sabemos. De modo que, se no ato de olhar existe essa divisão entre o “eu” e o “não eu”, entre o observador e o observado, o pensador e o pensamento, o experimentador e a experiência, então tem de haver conflito. (Idem, pág. 116)
Como se pode observar sem o “observador”, sendo este o passado, a imagem? (…) O “fabricante” de imagens é o observador, e perguntamos se podeis observar vossa esposa, a árvore, vosso marido, sem a imagem, sem o “observador”. Para se saber a resposta, impende descobrir o mecanismo formador de imagens. Que é que cria as imagens? Se o descobrirdes, jamais criareis imagens e podereis observar sem o “observador”. (O Novo Ente Humano, pág. 115)
Vós me injuriais; se, nesse momento, houver “percepção total”, não haverá registro, não tenho vontade de bater-vos ou de xingar-vos, estou passivamente cônscio do insulto e, por conseguinte, não há formação de imagem. A primeira vez (…) ficai totalmente cônscio, e vereis como a velha estrutura do cérebro se torna quieta (…) O “registrador” não faz nenhum registro (…) O ver dessa maneira é o verdadeiro estado de uma relação. Por conseguinte, a mente capaz de observar com clareza é também capaz de observar o que é a Verdade. (Idem, pág. 115-116)
Se se percebe que essa é a causa básica do conflito, logo se pergunta: Pode-se observar sem o “eu”, o “censor”, sem nenhuma de nossas experiências acumuladas, de aflição, conflito, brutalidade, vaidade, orgulho, desespero, que constituem o “eu”? Podeis, sem o passado - memórias, conclusões e esperanças, trazidas do passado - observar sem esse background? Esse background, sendo o “eu”, o “observador” - separa-vos da coisa observada. (A Questão do Impossível, pág. 33)
Mas, podeis olhar-vos interiormente sem “observador”? Tende a bondade de olhar-vos - vosso condicionamento (…) educação (…) maneira de pensar (…) conclusões e preconceitos - sem nenhuma espécie de condenação, explicação ou justificação - observando, apenas. Quando assim se observa, não há observador e, por conseguinte, não há conflito algum. (Idem, pág. 33)
Esse modo de vida difere totalmente do outro: não é o oposto do outro, nem uma reação a ele; é diferente. Nele, há liberdade infinita, abundante energia e paixão. Ele é observação total, ação completa. (…) (Idem, pág. 34)
Por certo, (…) ao compreendermos de maneira completa a natureza da nossa mente, desaparece, então, inevitavelmente, a divisão entre o “pensador” e o pensamento, desaparece o “observador” que está a observar aquela ansiedade ou temor e a esforçar-se por vencê-lo. Só há, então, aquele “estado de ser” que é o temor, ou a ansiedade, ou a solidão; não há mais o “observador” do temor. (A Renovação da Mente, pág. 41)
Essa integração do “pensador” e do pensamento só se realiza quando a mente abandona de todo as fugas e não mais se esforça para encontrar uma solução. Porque, qualquer movimento por parte da mente para compreender o problema central há de basear-se no tempo, no passado. E o tempo só vem à existência quando há temor e desejo. (Idem, pág. 42)
Cabe-nos, por conseguinte, observar esse processo dualista em ação, em nosso interior: a divisão em “eu” e “não eu”, observador e coisa observada. Foi o pensamento que efetuou essa divisão. É ele quem diz: “Estou insatisfeito com o que é, e só poderei satisfazer-me com o que deveria ser. (…) (Palestras com Estudantes Americanos, pág. 90)
Existe, pois, em cada um de nós, esse processo dualista, contraditório. Esse processo é um desperdício de energia. (…) Por que existe esse esforço constante: o que é e o que deveria ser? (…) O observador é sempre o passado: nunca é novo. A coisa observada pode ser nova, mas o observador a traduz sempre de acordo com o “velho”, o passado, e, assim, o pensamento nunca poderá ser novo e, portanto, livre. (Idem, pág. 90-91)
Assim, é possível a mente libertar-se do “observador”, do “censor”. Afinal, o “observador”, o “censor” é o “eu”, que quer sempre mais e mais experiência. Tive todas as “experiências” que este mundo pode proporcionar. Por conseguinte, desejo novas experiências noutro nível, a que chamo “o mundo espiritual”; mas o “experimentador” continua existente, o observador subsiste. (…) E pode o “experimentador”, o “eu”, deixar de existir completamente? Porque só então é possível a mente esvaziar-se e surgir o novo, a Verdade, a Realidade criadora. (O Homem Livre, pág. 156)
Quando um indivíduo descobre o que realmente é, ele se pergunta: “É ele mesmo, o observador, diferente do que observa?” - psicologicamente falando (…) Eu estou irado, cobiçoso, violento; é isso diferente da coisa observada, que é a ira, a cobiça, a violência? (…) Obviamente não é. (…) Portanto, eu sou a ira, o observador é o observado. A divisão é ilimitada por completo. O observador é o observado e, por conseqüência, o conflito termina. (La Totalidad de la Vida, pág.138)
Se o pensador separa o seu pensamento de si próprio, (…) sobreviverá inevitavelmente o conflito e a ilusão. Não há saída (…), a não ser que se transforme o pensador. Essa completa integração do pensador com o pensamento não é uma expressão verbal, senão uma experiência profunda que só se manifesta quando o pensador já não está colhido na oposição dualista.
Pelo autoconhecimento e pela meditação correta, verifica-se a integração do pensador com o pensamento (…) Na verdadeira meditação, o sujeito que se concentra é a própria concentração; (…) Na verdadeira meditação, não está o pensador separado do pensamento (…) É só então que há criação (…) eternidade. (…) (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 147-148)
Quando há “experimentar”, não há o que experimenta nem a coisa experimentada. Nesse “estado de experimentar”, que é sempre novo, que sempre é ser (…) o indivíduo sabe que a palavra não é a experiência, (…) não é a coisa, (…) nenhum conteúdo tem; só a própria “experiência” é repleta de conteúdo. (O que te fará Feliz, pág. 125-126)
O “experimentar” não é, pois, verbalização. “Experimentar” é a mais elevada forma de compreensão, porquanto é a negação do pensar. A forma negativa de pensar é a mais elevada forma de compreensão; e não pode haver pensar negativo, quando há verbalização do pensamento. (…) (Idem, pág. 126)
Não se trata, pois, absolutamente, de controlar e pensamento, mas de se ficar livre do pensamento. É só quando a mente fica livre do pensamento, que há percepção daquilo “que é”, do que é eterno, da Verdade. (Idem, pág. 126)
(…) O observador vê através da imagem, e tem continuidade no tempo. Portanto, não pode ver nada novo. Se olho a minha esposa com a imagem de anos, e a isso chamo relação, nada de novo há nisso. (El Despertar de la Inteligencia, pág. 119)
É possível então ver algo novo sem o observador? O observador é tempo. Posso olhar “o que é” não fragmentado, sem o observador, que é tempo? Pode haver uma percepção sem aquele que percebe? (Idem, pág. 119)
Como há de olhar-se um indivíduo? É possível olhar-se de modo total, sem a divisão entre o consciente e as camadas profundas da consciência, das quais talvez nem sequer nos damos conta? É possível observar, ver todo o movimento do “eu”, do “mim mesmo”, de “o que sou”, com uma mente não analítica, de modo tal que, no observar a mim mesmo, haja instantaneamente uma compreensão total? (…) (El Despertar de la Inteligencia, II, pág. 116)
Ao percebermos a verdade de que o observador é a coisa observada, não há então dualidade e, por conseguinte, não há conflito (que, como dissemos, é desperdício de energia). Só há então o fato: a mente condicionada. (…) (A Libertação dos Condicionamentos, pág. 34)
Ora, pode-se perceber muito bem que o pensador é resultado do pensamento; porque não existe pensador se não existir pensamento, não há experimentador quando não há experimentar. O experimentar, o observar, o pensar, produz o experimentador, o observador, o pensador. O experimentador não está separado da experiência, (…) do pensamento. (…) O pensamento criou o pensador, como entidade separada, porque o pensamento está sempre a modificar-se, transformar-se, e reconhece a própria impermanência. Sendo transitório, o pensamento deseja a permanência, e cria assim o pensador, como entidade permanente, fora da rede do tempo. (Viver sem Confusão, pág. 23)
Se percebemos a verdade desse fato - isto é, que o pensador é pensamento, que não existe pensador separado do pensamento, mas apenas o processo do pensar - o que acontece? (…) Até aqui, sabemos que o pensador está operando sobre o pensamento, e isso gera conflito entre o pensador e o pensamento; mas, se percebemos a verdade de (…) que o pensador é uma entidade arbitrária, artificial e inteiramente fictícia - que acontece? Não é então afastado o processo do conflito? (…) (Idem, pág. 23-24)
A raiz da contradição é a separação existente entre o pensador e o pensamento. Para a maioria de nós, existe um largo intervalo entre o “observador” e a “coisa observada”, entre o “pensador” e o “pensamento”, entre o “centro que experimenta” e a “coisa que se experimenta”; e é esse intervalo, vão ou demora, que é a verdadeira fonte da contradição. (O Descobrimento do Amor, pág. 68)
Temos, pois, de compreender a vida totalmente, para nos libertarmos de nosso sofrimento. (…) O viver não é então diferente do morrer. Não existe então esse vão, esse largo intervalo de tempo criado pelo “pensador”, (…) sempre a gerar medo. Compreender o que é viver, é morrer todos os dias, sem discussão, para toda aflição, (…) problemas, (…) prazeres (…) (Idem, pág. 71)
Devemos, pois, compreender a natureza da autocontradição, e só podemos compreendê-la observando a integral estrutura do “pensador” com seus pensamentos - o pensador que, como censor, está a criar uma perene contradição entre si próprio e a coisa que em si mesmo observa. Por conseguinte, a observação do que é, exige muita seriedade (…) (O Descobrimento do Amor, pág. 71)
Quando o “observador” é o “observado”, então o conflito cessa. Isso acontece (…) em circunstâncias de grande perigo, na qual não há “observador” separado do “observado”; há ação imediata, há uma resposta instantânea nessa ação. (…) Há uma transformação imediata, psicologicamente, interiormente, quando a divisão entre o “observador” e o “observado” deixa de existir. (O Mundo Somos Nós, pág. 19)
Quando uma pessoa diz que tem medo, é o observador que diz “tenho medo” e deseja fazer alguma coisa a respeito do medo. (…) O observador é a coisa observada. O observador, o centro, com seu pensamento, suas lembranças aprazíveis e dolorosas, criou esse medo e o colocou fora de si próprio. Há conflito entre o observador, o centro que diz “devo ser diferente, estou irritado e devo livrar-me da irritação” e a coisa observada. Há separação entre o observador e o objeto observado e, portanto, conflito. (A Importância da Transformação, pág. 79-80)

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terça-feira, 6 de setembro de 2011

A árvore dos desejos




Por Autor desconhecido


Uma vez um homem indiano estava viajando e, acidentalmente, entrou no paraíso. E, no conceito indiano de paraíso, existem as "árvores-dos-desejos". Você simplesmente senta debaixo dela, deseja qualquer coisa e imediatamente seu desejo é realizado - não há intervalo entre o desejo e sua realização.

O homem estava cansado, e pegou no sono sob a árvore-dos-desejos. Quando despertou estava com muita fome, então disse: "Estou com tanta fome, desejaria poder conseguir alguma comida de algum lugar". Imediatamente apareceu comida vinda do nada. Ele estava tão faminto que não prestou atenção de onde a comida viera - quando se está com fome, não se é filósofo. Começou a comer imediatamente. A comida era tão deliciosa.

Depois, tendo saciado a fome, olhou à sua volta e começou a pensar: "O que está acontecendo? O que está havendo? Estou sonhando ou existem espíritos ao redor que estão fazendo truques comigo?" E espíritos apareceram. E eram ferozes, horríveis, nauseantes. E ele começou a tremer e um pensamento surgiu em sua mente: "Agora vão me matar, com certeza....". E ele foi assassinado.

Sua mente é a árvore dos desejos,  se olhar profundamente, perceberá que todos os seus pensamentos estão criando você e sua vida.

Os pensamentos criam seu inferno e seu paraíso. Criam seu tormento, criam sua alegria. Eles criam o negativo, criam o positivo. Todos são mágicos. E todos estão fiando e tecendo um mundo mágico ao seu redor. Ninguém o está torturando, a não ser você mesmo. E uma vez que isso seja compreendido, mudanças começam a acontecer. Então você pode dar a volta por cima, pode transformar seu inferno em paraíso. 

A responsabilidade é toda sua.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

QUAL É A MELHOR RELIGIÃO?


Breve diálogo entre o teólogo brasileiro Leonardo Boff e
Dalai Lama.
Leonardo Boff explica:

No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos,
na qual ambos participávamos, eu, maliciosamente, mas também
com interesse teológico, lhe perguntei em meu inglês capenga:
- 'Santidade, qual é a melhor religião?'
Esperava que ele dissesse:
'É o budismo tibetano' ou 'São as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo.'
O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos olhos
- o que me desconcertou um pouco, por que eu sabia da malícia contida na pergunta -
e afirmou:
'A melhor religião é a que mais te aproxima de Deus.
É aquela que te faz melhor.
'Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta,
voltei a perguntar:
- 'O que me faz melhor?'
Respondeu ele:
- 'Aquilo que te faz mais compassivo
(e aí senti a ressonância tibetana, budista, taoísta de sua resposta),
aquilo que te faz mais sensível,
mais desapegado,
mais amoroso,
mais humanitário,
mais responsável...
A religião que conseguir fazer isso de ti
é a melhor religião...'
Calei, maravilhado, e até os dias de hoje
estou ruminando sua resposta
sábia e irrefutável.

A sabedoria dos filmes

Não espere o amor acontecer