segunda-feira, 13 de junho de 2011



O EU E A PERSONA
Paul Ferrini

O Amor está em toda a parte do universo, embora para você não seja fácil manter-se ligado a ele. Por quê?

Você não se sente ligado ao amor porque acha que já algo errado com você. Você tem medo de ser julgado e rejeitado pelos outros.

Você acha que não é aceitável do jeito que é, pois durante quase toda a sua vida você aceitou as idéias e opiniões dos outros como se elas correspondessem à verdade a seu respeito. Contudo, o que a sua mãe, o seu pai, o seu professor, o sacerdote de sua igreja dizem a seu respeito é só a opinião deles. Algumas destas opiniões podem ter sido corretas em alguma época da sua vida, mas até mesmo estas podem não se justificar agora.

Lamentavelmente, você internaliza as opiniões dos outros a seu respeito. E molda a sua auto-imagem com base nelas. Em outras palavras, a opinião que você tem a seu respeito não é pautada no que você sabe ou descobre acerca de si mesmo, mas no que os outros dizem.

O "você" que você conhece é uma criação formada pelas crenças e julgamentos das outras pessoas que você aceitou como verdadeiros. Até mesmo o que você chama de "personalidade" não passa de um conjunto de padrões de comportamento que você adotou para se harmonizar com o comportamento das pessoas importantes da sua vida.

Então onde está o "verdadeiro você" na equação entre você e os outros? O verdadeiro você é o fator desconhecido, a essência encapsulada pelos julgamentos e interpretações que você aceitou sobre si mesmo e sobre a sua experiência.

Isso vale para todo mundo, não só para você. As pessoas se relacionam umas com as outras não com seres autênticos e auto-realizados, mas como personas, máscaras, papéis, identidades. Muitas vezes, as pessoas usam mais de uma máscara, dependendo com quem elas estejam e do que se espera delas.

O verdadeiro Eu fica perdido e esquecido em meio a todos esses disfarces. E a autenticidade, a maior dádiva que ele recebeu, não é conscientemente reconhecida.

O verdadeiro Eu sabe que você é inteiramente bom, aceitável e capaz de dar e receber amor. Ele sabe que qualquer coisa é possível se você acreditar profundamente em si mesmo.

O verdadeiro Eu não fica preso às limitações, aos julgamentos e às interpretações com que a persona vive. Na verdade, pode-se dizer que o Eu e a persona vivem em mundos diferentes. O mundo do Eu é brilhante e auto-suficiente. O mundo da persona é sombrio, e a luz é buscada nos outros.

O Eu diz, "Eu sou". A persona diz, "Eu sou isto" ou "Eu sou aquilo". O Eu vive e se expressa incondicionalmente. A persona vive e se expressa condicionalmente. O Eu é motivado pelo amor e diz, "Eu posso". A persona vive com medo e diz, "Eu não posso". A persona se queixa, se justifica e dá desculpas. O Eu aceita, integra e mostra o seu dom.

Você é o Eu, mas acredita que é a persona. Enquanto você viver como persona, terá experiências que confirmam as suas crenças sobre si mesmo e os outros. Quando perceber que todas as personas são apenas máscaras que você e os outros concordaram em usar, você aprenderá a ver por trás das máscaras.

Quando isso acontece, você tem um vislumbre da radiância do Eu interior e exterior. Você verá um ser brilhante, eminentemente valoroso e capaz de amar, dinamicamente criativo, generoso e auto-suficiente. Essa é a tua natureza mais profunda. E essa é também a natureza de todos os seres da sua experiência.

Quando aceita quem você é, você pára de brigar com as outras pessoas. Pois deixa de duelar com as suas personas. Você vê a luz por trás da máscara. A sua luz e a luz das outras pessoas são tudo o que importa.

Quando entra em contato com a verdade sobre si mesmo, você reconhece que grande parte do que aceitou a seu respeito não corresponde à verdade. Você não é nem melhor nem pior do que ninguém. Não é mais burro, nem mais inteligente, nem mais feio, nem mais bonito. Esses eram apenas julgamentos que alguém fez e que você aceitou. Nenhum deles era verdadeiro.

Quando está ciente da verdade a seu respeito, você sabe que você não é o seu corpo, embora precise aceitá-lo e cuidar dele. Você não é os seus pensamento nem os seus sentimentos, embora você precise ter consciência deles e ver como eles estão criando o drama da sua vida. Você não é os papéis que desempenha – marido ou esposa, mãe ou pai, filho ou filha, chefe ou empregado, secretária ou encanador – embora você precise fazer as pazes com todos os papéis que tenha optado por desempenhar. Você não é nada que seja externo. Nem é nada que possa ser definido por algo ou alguém.

O propósito da sua jornada aqui é descobrir o Eu e deixar a persona de lado. Você está aqui para descobrir que a Fonte do amor está dentro da sua própria consciência. Você não precisa buscar o amor fora de você. Na realidade, a própria atitude de buscá-lo no mundo impede você de reconhecê-lo dentro de si mesmo. E, se você não conseguir encontrar o amor interiormente, nunca será capaz de encontrá-lo nas outras pessoas.

Você só enxergará a luz nos outros quando enxergá-la em si mesmo. Depois disso, não haverá ninguém em quem você não consiga enxergá-la. Se as outras pessoas vêem ou não essa luz, não importa. Você sabe que ela está ali. E é à luz que você se dirige quando fala com elas.

O mundo das personas é caótico e baseado em reações. É um mundo abastecido pelo medo e pelo julgamento. Ele só é real porque você e as outras pessoas acreditam nele e se definem de acordo com as condições que encontram ali. Mas essas condições não correspondem à realidade definitiva. Elas são simplesmente um drama coletivo criado por vocês. Sim, o drama tem as suas próprias regras, seus costumes, seus inter-relacionamentos e seu plano de ação, mas nada disso importa quando você despe a fantasia e desce do palco.

Preste atenção, o drama vai continuar. Ele não depende só de você. Mas quando percebe que tudo não passa de uma encenação, você pode escolher se quer participar dela ou não. Se participar, você fará isso tendo em mente quem você é, compreendendo o papel que está desempenhando, sem ficar apegado a ele.

O sofrimento acaba quando acaba o seu apego a todas as condições. A partir daí, você passa a confiar no Eu, na personificação do amor, na fonte da própria criação.

Um comentário:

  1. Muito bom o que está escrito!!
    O grande Machado de Assis colocou isso muito naquele conto "O Espelho". Nós nos preocupamos tanto com aquilo que os outros querem ver em nós que acabamos sumindo diante do espelho.
    Parabéns pela postagem!!

    ResponderExcluir

A sabedoria dos filmes

Não espere o amor acontecer