quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Ser criativo a partir da quietude



Eu tenho feito um bocado de coisas estressantes na minha vida, e sim, às vezes meus nervos ficaram realmente em frangalhos. Como musicista clássica, e agora como diretora de ópera, eu tenho que ter o meu melhor desempenho, na frente de muitas pessoas, com uma chance somente de fazer o certo.

Ás vezes eu era um sucesso e ás vezes um desastre, e eu costumava basear minha felicidade em realizar a primeira opção. Eu fazia isso ao me preparar durante horas, planejando com perfeição, me assegurando que eu poderia fazer isso em meu sono. Então eu rezaria por um toque mágico de inspiração. Miraculosamente, muitas vezes vinha, mas era uma maneira exaustiva de viver, e apesar dos meus sucessos, um medo subconsciente de fracasso circulava na minha cabeça. Agora, depois de aprender a ser íntima com a quietude interior, mudei totalmente minha maneira de trabalhar.

Ao mesmo tempo em que eu estava fazendo minha Maestria no curso do Ser com os Ishayas, eu completei minha formação como diretora de ópera, o que foi a realização de um sonho. A tarefa de diretora é complexa. Ela decide se a ópera se realiza em um sombrio porão de 300 anos, em um moderno edifício de escritórios, ou em um bordel francês dos anos 20. Seu trabalho é saber se um personagem está mentindo ou dizendo a verdade, ou se ele secretamente está apaixonado por sua tia, e é o trabalho dos diretores inspirar todos a expressar isso da melhor maneira possível.

Como recém formada diretora de ópera, dirigi uma ópera para crianças de escola. Nesse período, eu estava desenvolvendo uma experiência bem estável de paz interior, e um pouco antes de começarmos a ensaiar, passei 6 semanas em um retiro de Ascensão e reconheci que eu poderia escolher esta paz a qualquer tempo. Então, voltei para o teatro de ópera com a intenção de realizar meu trabalho a partir deste espaço.

Foi uma experiência totalmente mágica. Eu estava calma, fluindo, espontânea e em controle da situação. Eu interagia com os cantores de uma maneira completamente nova, uma vez que eu estava realmente ali, presente ao que me era dado no momento. Nós nos divertimos tanto juntos! E o mais incrível foi que isto era feito sem planejamento. Não estou dizendo que eu não estava preparada, afinal eu mesma tinha realizado este trabalho, mas não planejava cada pequeno detalhe. Eu não estava planejando à frente na minha mente, como costumava fazer, sempre me preparando para o que eu ia fazer nos próximos cinco minutos. Eu estava presente. Era maravilhoso. Se de repente eu não sabia o que fazer, eu levava cinco segundos e me concentrava interiormente, e aí estava, uma idéia nova.

Ocasionalmente os antigos hábitos de controle vinham me visitar. Eu ainda estava me agarrando às velhas maneiras de tentar fazer tudo perfeitamente. Ás vezes ainda acreditava que se algo desse “errado”, era falha minha ou que eu não estava à altura da tarefa. Ás vezes eu era atacada pelo medo e ficava toda a noite planejando o dia seguinte, como sempre costumava fazer. O dia seguinte não era nem um pouco divertido, e após um curto período, voltei ao plano A: Ficar quieta, e ver o que acontece. Funcionou como mágica! Ficou muito claro para mim que a melhor coisa que eu podia fazer era me render à quietude e ver o que acontecia a seguir. Preocupar-me simplesmente não funcionava.

As pessoas começaram a notar como eu estava calma, em meio ao caos de um teatro de ópera às vésperas de uma estréia. Meus dias eram um fluxo constante de decisões a serem tomadas; que iluminação você quer aqui? Ela pode usar esses sapatos? O que o meu personagem sente agora mesmo? Eu fiz coisas que jamais tinha feito antes, criando cenografia nova, tirando fotos para serem projetadas em telas gigantes nas paredes, colaborando com todos no teatro. E simplesmente me diverti, decidindo sem medo de cometer erros, confiando nos impulsos que eu recebia da minha fonte interior.

Os cantores confiaram em mim, o pessoal confiou em mim, e estou certa de que eles foram influenciados por minha estabilidade. Na verdade a produção inteira foi influenciada por ela. A atmosfera era alegre e grata. Desde o primeiro dia, todos os envolvidos tiveram uma crença forte nesta produção, e eu honestamente não posso lhe dizer porque, a não ser que eu mesma estava sem medo de fracassar. Porque eu tinha percebido que minha felicidade não depende do exterior. A felicidade reside internamente, e o exterior é um grande playground onde todos nós nos divertimos.

Texto de Hiranya 
www.portugues.thebrightpath.com

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Autoconsciência


   Era meu último dia de férias na ilha de Patmos. Como de costume, levantei-me antes do sol surgir para andar antes que o calor se tornasse desconfortável. Escalando a colina sozinha, curiosamente atenta aos pensamentos e sentimentos que passavam pela mente, notei todas as coisas que estavam acabando e eu era consciente de que estaria em casa na minha rotina em breve. A Grécia era um lugar tão exótico e ainda assim familiar, e eu me afeiçoei aos meus colegas nestas duas semanas. Uma lista de tudo que eu estava deixando passou pela minha consciência. O lazer de passar mais tempo de olhos fechados concentrada no interior, explorando a consciência; nadando no mar Egeu e saboreando o sal nos meus lábios; visitando velhos amigos e fazendo novos de todas as partes do globo; comendo a deliciosa comida mediterrânea caseira, iogurte grego e sorvete; relaxando com os Britânicos bebendo chá e comendo biscoitos; o constante pano de fundo do mar; ahhhhhhhh . . .Um sentimento familiar se abateu sobre mim. Lembrei-me que eu costumava chamar essa sensação de tristeza, com um sentido de perda e ressentida melancolia, mas escolhi não colocar esta etiqueta. Na verdade, eu estava consciente dela sem nomeá-la. Sem negar aquele sentimento, eu preenchi minha consciência com a paz legada quando abandonei todo o diálogo sobre a avaliação do que se passava pela minha consciência. O que eu descobri ao invés foi um crescente amor que a tudo abrangia, amor pela oportunidade excepcional de experimentar tudo isto em Patmos, amor por meus colegas, amor por esta forma de abordar as coisas, amor pela minha vida exatamente como ela é. Eu experimentei que aquele sentimento familiar era na verdade amor – a substância do Universo, não o amor condicionado a que somos ensinados a esperar. Experimentei isto de forma autêntica, não negando o rótulo original, esmagando-o ou substituindo o sentimento “triste”. A única consciência que tive foi a compreensão crua de que o amor é tudo que há – sempre, em todas as experiências e nos lugares menos esperados. Aquela não era a primeira vez em que minha consciência era preenchida daquela forma, e ela continua a ser uma experiência freqüente.

  Para que você não pense que eu me tornei uma sonhadora boba recitando letras das canções dos Beatles, eu contarei o que aconteceu depois. Ao observar em seguida minha consciência, notei que houve algo na minha agenda “a fazer” em Patmos que não havia acontecido. Certamente, eu tinha poucas expectativas ao chegar para as férias, e incrivelmente, uma expectativa importante veio a acontecer. Mas este item da agenda parecia imensamente importante nesse momento, trazendo toda uma outra memória de quando não era realizado. As memórias e pensamentos sobre elas ligaram-se em um enorme trem. Eu tinha pensamentos no sentido de soltá-lo, e o trem continuava. Eu fugia dele e ele continuava ali mesmo. Subitamente, minha consciência se moveu 90 graus para simplesmente observar este trem inteiro, e naquela fração de segundo, o inteiro trem de pensamentos, sentimentos, e memórias desapareceu sem uma marca. Eu me lembro escutando, “Ah, isto é o que me manteve distante da minha paz” como um comentário sobre a experiência, e vi aquilo ir também. Como continuei observando, nem uma marca ou remanescente disso reapareceu. Somente permaneceu a absoluta paz. E nem um pouco daquele trem reapareceu desde então.

   Você pode imaginar uma vida onde nada fora de você ou mesmo as coisas que se agitam na sua mente, afetam a sua paz? Numa vida assim, tampouco nada do lado de fora lhe faz mais feliz. Em termos de metáfora, nem o sol nem a chuva afeta o céu, este continua sendo o céu. Ainda assim o céu é rico de auroras e crepúsculos, chuva e neve, vento e poeira. É tudo parte do que nós apreciamos como o céu. Temos a tendência a viver em um mundo governado por nossos pensamentos e emoções, aquelas coisas que se movem pelo céu da nossa consciência. A verdadeira paz vem ao se cultivar a observação da autoconsciência. Isto leva à saúde emocional que, por sua vez, dá uma base sadia para uma vibrante saúde física.


   Cheryl Kasdorf, ND  mantém uma clínica particular em Cottonwood, Arizona. Sua especialidade inclui homeopatia e drenagem Unda, Bowenwork, terapia craniosacral e aconselhamento de estilo de vida. Sua paixão é ajudar os outros a ativarem o processo de cura com o mínimo de recursos externos, empregando mais os recursos internos. Com este objetivo, ela ensina a Ascensão dos Ishayas. Ela considera essas técnicas as mais gentis, mais facilmente realizáveis e mais eficazes e o método mais natural de meditação. Ela pode ser contatada em cherylnmd@yahoo.com ou pelo seu website www.whatishealing.com.


Para saber mais sobre a Ascenção Ishaya, clique aqui. 


Há algum tempo ouvi a história de um homem e uma mulher que moravam na China [...]. Eles haviam acabado de se casar e, quando a noiva se mudou para a casa do marido, ela imediatamente começou a brigar com a sogra por causa de pequenas questões caseiras. Aos poucos, as diferenças aumentaram, até que esposa e sogra não suportavam sequer olhar uma para a outra.
[...] Não havia nenhum motivo real para que a raiva tivesse crescido daquela forma. Mas, um dia, a esposa ficou tão furiosa com a sogra que decidiu que precisava tomar alguma providência para tirá-la do caminho. Então, foi ao médico e pediu um veneno para colocar na comida da sogra.
Ao ouvir as reclamações da jovem esposa, o médico concordou em vender o veneno. “Mas”, ele advertiu, “se eu lhe desse algo forte e com efeito imediato, todos apontariam o dedo para você e diriam: ‘Você envenenou sua sogra’ e eles também descobririam que você comprou o veneno de mim, o que não seria bom para nenhum de nós. Então, vou lhe dar um veneno mais suave que terá um efeito bem gradual, de forma que ela não morrerá imediatamente”.
Ele também a instruiu que, enquanto estivesse dando o remédio, deveria tratar a sogra muito, muito bem. “Sirva todas as refeições com um sorriso”, ele aconselhou. “Diga que você espera que ela goste da comida e pergunte se ela quer que você faça mais alguma coisa. Seja muito humilde e doce para que ninguém suspeite de você.”
Ela concordou e levou o veneno para casa. Na mesma noite, começou a colocar o veneno na comida da sogra e, muito educadamente, lhe ofereceu a refeição. Depois de alguns dias sendo tratada com tanto respeito, a sogra começou a mudar sua opinião sobre a esposa do filho. “Talvez ela não seja tão arrogante assim”, a velha mulher pensou. “Talvez eu tenha me enganado a respeito dela”. E, aos poucos, começou a tratar a nora com mais gentileza, elogiando as refeições e a forma como ela administrava o lar e até conversando e contando piadas.
À medida que a atitude e o comportamento da mulher mudavam, o da jovem também. Depois de alguns dias, ela começou a pensar: “Talvez minha sogra não seja tão ruim quanto imaginei. Na verdade, ela até parece ser uma pessoa muito boa.”
Isso continuou por cerca de um mês, até que as duas mulheres passaram a ser boas amigas. E começaram a se dar tão bem que, em um determinado momento, a moça parou de envenenar a comida da sogra. E, então, começou a se preocupar porque percebeu que já havia colocado tanto veneno em cada refeição que a sogra poderia morrer.
Assim, voltou ao médico e disse: “Cometi um erro. Na verdade, minha sogra é uma pessoa muito boa. Eu não deveria tê-la envenenado. Por favor, me ajude e me dê um antídoto para o veneno”.
O médico ficou em silêncio por um momento depois de ouvir a moça. “Sinto muito”, ele lhe disse. “Não tenho como ajudá-la. Não existe um antídoto”.
Ao ouvir aquilo, a moça ficou terrivelmente abalada e começou a chorar, jurando que se mataria.
“Por que você iria querer se matar?”, o médico perguntou.
A moça respondeu: “Porque envenenei uma boa pessoa e agora ela vai morrer. Eu deveria tirar minha própria vida para me punir pelo ato terrível que cometi”.
Mais uma vez, o médico ficou em silêncio por um momento e então começou a rir.
“Como você pode rir desta situação?”, a moça lhe perguntou, indignada.
“Porque você não precisa se preocupar com nada”, ele respondeu. “Não existe um antídoto para o veneno porque nunca lhe dei veneno algum. O que lhe dei foi uma erva inofensiva”.
Quando mudamos de atitude, tudo ao nosso redor muda também.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Pensador, Observador e Pensamento

A liberdade não é uma idéia, uma filosofia. A liberdade não existe quando a mente está aprisionada no pensamento. (…) O pensamento é a resposta da memória, do conhecimento e da experiência, é sempre produto do passado e não pode criar liberdade (…)(O Mundo Somos Nós, pág. 15)
Como provocar então psicologicamente, interiormente, essa mudança radical (…) fundamental, se ela não acontece por meio de um estímulo, nem por meio da análise e da descoberta da causa? Uma pessoa pode facilmente saber por que é que está encolerizada, mas isso não faz com que ela deixe de se encolerizar. (Idem, pág. 17)
Quando se aprofunda essa questão, surge o problema inevitável do “analisador” e daquilo que é “analisado”, do “pensador” e do que é “pensado”, do “observador” e do “observado”, e o problema de saber se essa divisão (…) é real, (…) um problema de fato, e não uma questão teórica. (O Mundo Somos Nós, pág. 18)
Será o “observador” - o centro a partir do qual se olha, se vê, se ouve - uma entidade conceptual que se separa a si mesma do “observado”? Quando se diz que se está encolerizado, será a cólera diferente da entidade que sabe que está encolerizada? Estará essa violência separada do “observador”? A violência não faz parte do “observador”? (…) (Idem, pág. 18)
O “observador”, e o “eu”, o “ego”, o “experimentador”, o “pensador”, será diferente do pensamento, da experiência, da coisa que ele observa? Quando olhamos uma árvore, alguma vez a olhamos realmente? Ou será que a olhamos através das imagens pertencentes ao conhecimento adquirido, à experiência passada? (Idem, pág. 18)
Se existe uma divisão entre o “observador” e o “observado”, essa divisão é a origem de todo o conflito humano. Quando dizeis que amais alguém, será isso amor? Não haverá, nesse amor, o “observador”, de um lado, e do outro a coisa amada, o “observado”? Esse “amor” é produto do pensamento. (…) (O Mundo Somos Nós, pág. 19)
Vejamos a questão de maneira diferente. Vive-se no passado, todo o conhecimento é do passado. (…) A nossa vida está essencialmente baseada no ontem, e o “ontem” torna-nos impermeáveis, rouba-nos a capacidade da inocência, da vulnerabilidade. Assim, o “ontem” é o “observador”; no “observador” estão todas as camadas do inconsciente, assim como o consciente. (O Mundo Somos Nós, pág. 19-20)
Uma das causas principais do conflito é a existência de um centro, um ego, um “eu”, resíduo de todas as lembranças, (…) experiências, (…) conhecimentos. E esse centro está sempre tratando de ajustar-se ao presente ou de absorvê-lo (…) O que ele já conhece é todo o conteúdo de milhares de dias pretéritos, e com esse resíduo procura enfrentar o presente. (…) E nesse processo do passado, que traduz o presente e cria o futuro, se acha aprisionado o “eu”, o ego. E nós somos isso. (O Passo Decisivo, pág. 112)
Assim, a fonte do conflito é o “experimentador” e a coisa que está “experimentando”. (…) Enquanto houver separação entre pensador e pensamento, experimentador e coisa experimentada, observador e coisa observada, tem de haver conflito. (…) Ora, pode-se anular essa divisão ou separação, de modo que sejais o que vedes, sejais o que sentis? (O Passo Decisivo, pág. 112)
Se você está prestando atenção, o que ocorre? Não há o “você” prestando atenção. Não há um centro que diga: “Estou prestando atenção”. (…) Se você está sério e prestando atenção, logo descobrirá que todos os seus problemas se foram, pelo menos no momento. Resolver problemas é prestar atenção. (…) (Perguntas e Respostas, pág. 67)
Digo: “Eu penso”. O pensamento é diverso da entidade que diz: “estou pensando”? Dizemos que as duas coisas são separadas, que o “eu” pensa ser diferente do pensamento. Presumimos que o “eu” vem em primeiro lugar; o “eu”, o “ego” é o pensador; primeiro este, depois o pensamento, a mente. Separamos, pois, o “eu” e a mente. Mas, isso é um fato? (…) (As Ilusões da Mente, pág. 114)
(…) Só depois de eliminado o pensante, se manifesta a Realidade. Essa unidade indivisível do pensante e do pensamento é para ser conhecida. Esse conhecimento traz-nos libertação; existe nele uma alegria inexprimível. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 24-25)
Análise implica divisão - o analista e a coisa a analisar. Não importa se sois vós mesmo que vos analisais, ou se é um especialista quem o faz - de qualquer maneira há divisão e, por conseguinte, já temos o começo do conflito. (…) Eis por que tanto importa compreender o “processo” da análise, a que a mente humana está apegada há tantos séculos. (A Questão do Impossível, pág. 32)
Dentre os numerosos fragmentos em que nos achamos divididos, um assume a função de “analista”; a coisa que se vai analisar é outro fragmento. Esse analista se torna o “censor”; com seus conhecimentos acumulados, avalia o bom e o mau, o certo e o errado, o que deve ou não deve ser reprimido, etc. Outrossim, o analista tem o dever de fazer análises completas (…) (Idem, pág. 32)
Como já vimos, há separação entre o analista e a coisa a analisar, entre o observador e a coisa observada; esta é a causa básica do conflito. Quando observamos, sempre o fazemos com base num centro, em nosso fundo de experiência e conhecimento; o “eu”, como católico, comunista ou “especialista” - está observando. Há, assim, separação entre “mim” e a coisa observada. (…) Há, pois, “observador” e “coisa observada”; nessa divisão produz-se, inevitavelmente, contradição. Essa contradição é a raiz de todas as lutas. (Idem, pág. 33)
Ora, é o pensante diferente do seu pensamento? Se cessa o pensamento, onde fica o pensante? Se fossem retiradas as qualidades do pensante, do “eu”, continuaria ele a existir? Assim, os pensamentos são o pensante, não estão separados. (…) O pensante separou-se de seus pensamentos para proteger-se (…) No momento em que o pensante começa a modificar-se, deixa de existir. (Da Insatisfação à Felicidade, pág. 103)
Quando uma pessoa se analisa, há sempre “o analisador” e “a coisa analisada”. O analisador é aquele que está a olhar do lado de fora - a julgar, a avaliar, a controlar, a reprimir, etc. Mas será possível uma pessoa ver-se intimamente, como realmente é? Ou seja, poderá a pessoa olhar para si mesma sem o pensador, o observador - o observador que está sempre de fora, que é o censor, a entidade que avalia, que diz “isto está certo”, “isto está errado”, “isto deveria ser”, “isto não deveria ser” - o que torna a observação muito limitada e meramente de acordo com o condicionamento social, ambiental e cultural. (O Mundo Somos Nós, pág. 126)
Os pensamentos criaram o “pensador”, porque os pensamentos são transitórios, e (…) dizemos que o pensador é permanente. Desse modo, na busca de permanência, os pensamentos criaram o pensador. E então o pensador domina os pensamentos e molda-os. (…) Os pensamentos criaram o pensador (…) Ao ser percebida a verdade a esse respeito, não há mais o controlar dos pensamentos, (…) só há o pensar. Se digo tal coisa e ela é compreendida, nisso já há uma revolução extraordinária; porque então já não existe o “pensador” (…) Perceber a verdade a esse respeito é o começo da meditação. (…) (O Problema da Revolução Total, pág. 126)
E possível, pois, olhar-se não analiticamente e, portanto, observar sem que seja o “eu” aquele que observa? Quero compreender a mim mesmo e sei que o “eu” é muito complexo; é uma coisa viva, não algo morto; é uma coisa viva, vital, em movimento, não apenas um acúmulo de recordações, experiências e conhecimentos. (…) Pois bem: é possível olhar sem o observador que olha a coisa observada? (…) (El Despertar de la Inteligencia, pág. 116)
Se é o observador quem olha, então deve fazê-lo mediante a fragmentação, a divisão, e onde há divisão - dentro e fora de si mesmo - deve haver conflito. No externo, os conflitos nacionais, os religiosos, os econômicos, e, no interno, está este campo imerso, não só no superficial, senão na área dilatada acerca da qual nada sabemos. De modo que, se no ato de olhar existe essa divisão entre o “eu” e o “não eu”, entre o observador e o observado, o pensador e o pensamento, o experimentador e a experiência, então tem de haver conflito. (Idem, pág. 116)
Como se pode observar sem o “observador”, sendo este o passado, a imagem? (…) O “fabricante” de imagens é o observador, e perguntamos se podeis observar vossa esposa, a árvore, vosso marido, sem a imagem, sem o “observador”. Para se saber a resposta, impende descobrir o mecanismo formador de imagens. Que é que cria as imagens? Se o descobrirdes, jamais criareis imagens e podereis observar sem o “observador”. (O Novo Ente Humano, pág. 115)
Vós me injuriais; se, nesse momento, houver “percepção total”, não haverá registro, não tenho vontade de bater-vos ou de xingar-vos, estou passivamente cônscio do insulto e, por conseguinte, não há formação de imagem. A primeira vez (…) ficai totalmente cônscio, e vereis como a velha estrutura do cérebro se torna quieta (…) O “registrador” não faz nenhum registro (…) O ver dessa maneira é o verdadeiro estado de uma relação. Por conseguinte, a mente capaz de observar com clareza é também capaz de observar o que é a Verdade. (Idem, pág. 115-116)
Se se percebe que essa é a causa básica do conflito, logo se pergunta: Pode-se observar sem o “eu”, o “censor”, sem nenhuma de nossas experiências acumuladas, de aflição, conflito, brutalidade, vaidade, orgulho, desespero, que constituem o “eu”? Podeis, sem o passado - memórias, conclusões e esperanças, trazidas do passado - observar sem esse background? Esse background, sendo o “eu”, o “observador” - separa-vos da coisa observada. (A Questão do Impossível, pág. 33)
Mas, podeis olhar-vos interiormente sem “observador”? Tende a bondade de olhar-vos - vosso condicionamento (…) educação (…) maneira de pensar (…) conclusões e preconceitos - sem nenhuma espécie de condenação, explicação ou justificação - observando, apenas. Quando assim se observa, não há observador e, por conseguinte, não há conflito algum. (Idem, pág. 33)
Esse modo de vida difere totalmente do outro: não é o oposto do outro, nem uma reação a ele; é diferente. Nele, há liberdade infinita, abundante energia e paixão. Ele é observação total, ação completa. (…) (Idem, pág. 34)
Por certo, (…) ao compreendermos de maneira completa a natureza da nossa mente, desaparece, então, inevitavelmente, a divisão entre o “pensador” e o pensamento, desaparece o “observador” que está a observar aquela ansiedade ou temor e a esforçar-se por vencê-lo. Só há, então, aquele “estado de ser” que é o temor, ou a ansiedade, ou a solidão; não há mais o “observador” do temor. (A Renovação da Mente, pág. 41)
Essa integração do “pensador” e do pensamento só se realiza quando a mente abandona de todo as fugas e não mais se esforça para encontrar uma solução. Porque, qualquer movimento por parte da mente para compreender o problema central há de basear-se no tempo, no passado. E o tempo só vem à existência quando há temor e desejo. (Idem, pág. 42)
Cabe-nos, por conseguinte, observar esse processo dualista em ação, em nosso interior: a divisão em “eu” e “não eu”, observador e coisa observada. Foi o pensamento que efetuou essa divisão. É ele quem diz: “Estou insatisfeito com o que é, e só poderei satisfazer-me com o que deveria ser. (…) (Palestras com Estudantes Americanos, pág. 90)
Existe, pois, em cada um de nós, esse processo dualista, contraditório. Esse processo é um desperdício de energia. (…) Por que existe esse esforço constante: o que é e o que deveria ser? (…) O observador é sempre o passado: nunca é novo. A coisa observada pode ser nova, mas o observador a traduz sempre de acordo com o “velho”, o passado, e, assim, o pensamento nunca poderá ser novo e, portanto, livre. (Idem, pág. 90-91)
Assim, é possível a mente libertar-se do “observador”, do “censor”. Afinal, o “observador”, o “censor” é o “eu”, que quer sempre mais e mais experiência. Tive todas as “experiências” que este mundo pode proporcionar. Por conseguinte, desejo novas experiências noutro nível, a que chamo “o mundo espiritual”; mas o “experimentador” continua existente, o observador subsiste. (…) E pode o “experimentador”, o “eu”, deixar de existir completamente? Porque só então é possível a mente esvaziar-se e surgir o novo, a Verdade, a Realidade criadora. (O Homem Livre, pág. 156)
Quando um indivíduo descobre o que realmente é, ele se pergunta: “É ele mesmo, o observador, diferente do que observa?” - psicologicamente falando (…) Eu estou irado, cobiçoso, violento; é isso diferente da coisa observada, que é a ira, a cobiça, a violência? (…) Obviamente não é. (…) Portanto, eu sou a ira, o observador é o observado. A divisão é ilimitada por completo. O observador é o observado e, por conseqüência, o conflito termina. (La Totalidad de la Vida, pág.138)
Se o pensador separa o seu pensamento de si próprio, (…) sobreviverá inevitavelmente o conflito e a ilusão. Não há saída (…), a não ser que se transforme o pensador. Essa completa integração do pensador com o pensamento não é uma expressão verbal, senão uma experiência profunda que só se manifesta quando o pensador já não está colhido na oposição dualista.
Pelo autoconhecimento e pela meditação correta, verifica-se a integração do pensador com o pensamento (…) Na verdadeira meditação, o sujeito que se concentra é a própria concentração; (…) Na verdadeira meditação, não está o pensador separado do pensamento (…) É só então que há criação (…) eternidade. (…) (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 147-148)
Quando há “experimentar”, não há o que experimenta nem a coisa experimentada. Nesse “estado de experimentar”, que é sempre novo, que sempre é ser (…) o indivíduo sabe que a palavra não é a experiência, (…) não é a coisa, (…) nenhum conteúdo tem; só a própria “experiência” é repleta de conteúdo. (O que te fará Feliz, pág. 125-126)
O “experimentar” não é, pois, verbalização. “Experimentar” é a mais elevada forma de compreensão, porquanto é a negação do pensar. A forma negativa de pensar é a mais elevada forma de compreensão; e não pode haver pensar negativo, quando há verbalização do pensamento. (…) (Idem, pág. 126)
Não se trata, pois, absolutamente, de controlar e pensamento, mas de se ficar livre do pensamento. É só quando a mente fica livre do pensamento, que há percepção daquilo “que é”, do que é eterno, da Verdade. (Idem, pág. 126)
(…) O observador vê através da imagem, e tem continuidade no tempo. Portanto, não pode ver nada novo. Se olho a minha esposa com a imagem de anos, e a isso chamo relação, nada de novo há nisso. (El Despertar de la Inteligencia, pág. 119)
É possível então ver algo novo sem o observador? O observador é tempo. Posso olhar “o que é” não fragmentado, sem o observador, que é tempo? Pode haver uma percepção sem aquele que percebe? (Idem, pág. 119)
Como há de olhar-se um indivíduo? É possível olhar-se de modo total, sem a divisão entre o consciente e as camadas profundas da consciência, das quais talvez nem sequer nos damos conta? É possível observar, ver todo o movimento do “eu”, do “mim mesmo”, de “o que sou”, com uma mente não analítica, de modo tal que, no observar a mim mesmo, haja instantaneamente uma compreensão total? (…) (El Despertar de la Inteligencia, II, pág. 116)
Ao percebermos a verdade de que o observador é a coisa observada, não há então dualidade e, por conseguinte, não há conflito (que, como dissemos, é desperdício de energia). Só há então o fato: a mente condicionada. (…) (A Libertação dos Condicionamentos, pág. 34)
Ora, pode-se perceber muito bem que o pensador é resultado do pensamento; porque não existe pensador se não existir pensamento, não há experimentador quando não há experimentar. O experimentar, o observar, o pensar, produz o experimentador, o observador, o pensador. O experimentador não está separado da experiência, (…) do pensamento. (…) O pensamento criou o pensador, como entidade separada, porque o pensamento está sempre a modificar-se, transformar-se, e reconhece a própria impermanência. Sendo transitório, o pensamento deseja a permanência, e cria assim o pensador, como entidade permanente, fora da rede do tempo. (Viver sem Confusão, pág. 23)
Se percebemos a verdade desse fato - isto é, que o pensador é pensamento, que não existe pensador separado do pensamento, mas apenas o processo do pensar - o que acontece? (…) Até aqui, sabemos que o pensador está operando sobre o pensamento, e isso gera conflito entre o pensador e o pensamento; mas, se percebemos a verdade de (…) que o pensador é uma entidade arbitrária, artificial e inteiramente fictícia - que acontece? Não é então afastado o processo do conflito? (…) (Idem, pág. 23-24)
A raiz da contradição é a separação existente entre o pensador e o pensamento. Para a maioria de nós, existe um largo intervalo entre o “observador” e a “coisa observada”, entre o “pensador” e o “pensamento”, entre o “centro que experimenta” e a “coisa que se experimenta”; e é esse intervalo, vão ou demora, que é a verdadeira fonte da contradição. (O Descobrimento do Amor, pág. 68)
Temos, pois, de compreender a vida totalmente, para nos libertarmos de nosso sofrimento. (…) O viver não é então diferente do morrer. Não existe então esse vão, esse largo intervalo de tempo criado pelo “pensador”, (…) sempre a gerar medo. Compreender o que é viver, é morrer todos os dias, sem discussão, para toda aflição, (…) problemas, (…) prazeres (…) (Idem, pág. 71)
Devemos, pois, compreender a natureza da autocontradição, e só podemos compreendê-la observando a integral estrutura do “pensador” com seus pensamentos - o pensador que, como censor, está a criar uma perene contradição entre si próprio e a coisa que em si mesmo observa. Por conseguinte, a observação do que é, exige muita seriedade (…) (O Descobrimento do Amor, pág. 71)
Quando o “observador” é o “observado”, então o conflito cessa. Isso acontece (…) em circunstâncias de grande perigo, na qual não há “observador” separado do “observado”; há ação imediata, há uma resposta instantânea nessa ação. (…) Há uma transformação imediata, psicologicamente, interiormente, quando a divisão entre o “observador” e o “observado” deixa de existir. (O Mundo Somos Nós, pág. 19)
Quando uma pessoa diz que tem medo, é o observador que diz “tenho medo” e deseja fazer alguma coisa a respeito do medo. (…) O observador é a coisa observada. O observador, o centro, com seu pensamento, suas lembranças aprazíveis e dolorosas, criou esse medo e o colocou fora de si próprio. Há conflito entre o observador, o centro que diz “devo ser diferente, estou irritado e devo livrar-me da irritação” e a coisa observada. Há separação entre o observador e o objeto observado e, portanto, conflito. (A Importância da Transformação, pág. 79-80)

www.krishnamurti.org.br

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A árvore dos desejos




Por Autor desconhecido


Uma vez um homem indiano estava viajando e, acidentalmente, entrou no paraíso. E, no conceito indiano de paraíso, existem as "árvores-dos-desejos". Você simplesmente senta debaixo dela, deseja qualquer coisa e imediatamente seu desejo é realizado - não há intervalo entre o desejo e sua realização.

O homem estava cansado, e pegou no sono sob a árvore-dos-desejos. Quando despertou estava com muita fome, então disse: "Estou com tanta fome, desejaria poder conseguir alguma comida de algum lugar". Imediatamente apareceu comida vinda do nada. Ele estava tão faminto que não prestou atenção de onde a comida viera - quando se está com fome, não se é filósofo. Começou a comer imediatamente. A comida era tão deliciosa.

Depois, tendo saciado a fome, olhou à sua volta e começou a pensar: "O que está acontecendo? O que está havendo? Estou sonhando ou existem espíritos ao redor que estão fazendo truques comigo?" E espíritos apareceram. E eram ferozes, horríveis, nauseantes. E ele começou a tremer e um pensamento surgiu em sua mente: "Agora vão me matar, com certeza....". E ele foi assassinado.

Sua mente é a árvore dos desejos,  se olhar profundamente, perceberá que todos os seus pensamentos estão criando você e sua vida.

Os pensamentos criam seu inferno e seu paraíso. Criam seu tormento, criam sua alegria. Eles criam o negativo, criam o positivo. Todos são mágicos. E todos estão fiando e tecendo um mundo mágico ao seu redor. Ninguém o está torturando, a não ser você mesmo. E uma vez que isso seja compreendido, mudanças começam a acontecer. Então você pode dar a volta por cima, pode transformar seu inferno em paraíso. 

A responsabilidade é toda sua.

A sabedoria dos filmes

Não espere o amor acontecer